Itamaraty diz que não se opõe ao plano de segurança para jornalistas da Unesco

O Itamaraty disse nesta sexta-feira (11/05/2012), após audiência solicitada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), que o governo brasileiro não se opõe ao plano elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a promoção da segurança de jornalistas no exercício da profissão, ao contrário do que havia sido divulgado pela imprensa em setembro do ano passado, quando a proposta foi anunciada.

“Os noticiários e as informações que chegaram até nós foram que o Brasil tinha se posicionado contra a adoção imediata [do plano]. Queríamos entender, visto que e a posição do governo é francamente favorável à liberdade de imprensa e à de expressão”, disse o diretor executivo da ANJ, Ricardo Pereira.

Segundo ele, o ministério agradeceu a associação por ter tomado a iniciativa de pedir uma audiência, pois considera importante a interlocução entre o governo e as entidades de classe. Participaram também da reunião o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, a delegada permanente do Brasil na Unesco, embaixadora Maria Laura da Rocha, a presidenta da ANJ, Judith Brito, e o vice-presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto.

O Plano das Nações Unidas para Promoção da Segurança de Jornalistas e Questões de Impunidade estabelece diretrizes internas do secretariado da Unesco, não cabendo ao Brasil – assim como a nenhum outro Estado – aprovar ou reprová-lo, informou o ministério.

“O Brasil não pode endossar iniciativas que fogem a sua atuação naquela organização [Unesco]”, disse a embaixadora Maria Laura da Rocha.

Anteriormente ao endosso consensual ao plano, em abril deste ano, pelos membros do Programa Internacional para o Desenvolvimento da Comunicação da Unesco, no âmbito do qual foi negociada a proposta, as delegações do Brasil, da Índia e do Paquistão haviam se articulado para desestimular a ideia de votação da matéria por se tratar de questão procedimental. A aprovação poderia dar força política ao projeto, a reprovação, por outro lado, poderia gerar o efeito contrário, de acordo com o Itamaraty.

A não aceitação do plano, explicou a embaixadora Maria Laura, poderia ocorrer devido à ausência de participantes da América Latina e do Caribe durante a redação do texto da proposta, assim como pela incerteza a respeito da definição de áreas onde não há conflito. Esses casos deverão ser tratados pelas ações futuras da Unesco e de outros órgãos e agências da ONU.

Segundo a embaixadora, o objetivo do plano é estimular a sintonia e a coerência dentro do sistema das Nações Unidas para a elaboração de resoluções sobre a segurança de jornalistas. Os órgãos da ONU, futuramente ou concomitantemente à ação da Unesco, poderão propor resoluções sobre o tema a seus Estados-Membros, que, se aceitas, irão gerar obrigação aos países.

Ao longo de 2012, a Unesco e os demais organismos da ONU deverão elaborar propostas e fazer sugestões sobre esse tema, inclusive, com a participação da imprensa. No caso do Brasil, o Itamaraty informou que jornalistas podem entrar em contato com a Assessoria de Imprensa do Gabinete (AIG) para que seja estabelecido um canal de diálogo.

No primeiro semestre de 2013, o texto do plano será apreciado pelo Conselho Executivo da Unesco, com as devidas propostas brasileiras. Se aprovado, vai à votação em outubro na conferência geral da organização, que ocorre a cada dois anos.

“A reunião foi satisfatória. O gabinete [do Itamaraty] se comprometeu a comunicar e consultar a ANJ sobre questões relativas. Esse foi o resultado mais prático e o consideramos adequado. O importante foi que fomos recebidos pelo ministro e que abrimos canal de interlocução com o governo”, disse Ricardo Pedreira.

“Estamos todos do mesmo lado, todos achamos importante o acompanhamento dessa questão e a punição dos culpados”, informou Maria Laura da Rocha.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading