Municípios baianos cancelam festas juninas em período de estiagem. Opiniões divergem quanto à realização dos festejos em Feira de Santana

O longo período de estiagem tem ameaçado a realização das tradicionais festas de São João e São Pedro em diversos municípios baianos. Muitas cidades já anunciaram o cancelamento dos festejos, a exemplo de Tucano, Itabuna, Serrolândia, Várzea Nova e Miguel Calmon, que seguiram a recomendação do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para que as unidades federativas atingidas pela estiagem “adotem uma imperiosa necessidade de contenção de despesas”.

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cordec) estima em 2,6 milhões o número de pessoas afetadas pela seca. O município com maior população atingida é o de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, com 55 mil moradores diretamente prejudicados pela falta d’água.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, José Ferreira Sales, também conhecido como “Zé Grande”, a suspensão do São João e São Pedro é uma das alternativas que podem ser adotadas pelo Governo Municipal para intensificar o combate à seca.

“Os recursos gastos com as festas podem ser revertidos para ajudar os trabalhadores rurais. As festividades juninas já foram suspensas em alguns municípios da Bahia, com intuito de reduzir despesas e aumentar a aplicação de recursos no combate à seca na zona rural”, avaliou Zé Grande.

O arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, declarou que a manutenção dos festejos já está sendo discutida. “Não temos aval técnico para especificar que o cancelamento das festas juninas seja realmente a melhor atitude a ser tomada porque muitos municípios baianos já contrataram as bandas que tocarão nas festas. Acredito que através das reuniões, que já estão acontecendo para tratar do assunto, encontraremos a melhor alternativa”, concluiu.

Em entrevista ao Acorda Cidade, na terça-feira (01/05/2012), Dom Itamar Vian criticou a realização de grandes festas em Feira de Santana neste período de estiagem. “Nesse momento o mais importante é ajudar os agricultores para que eles tenham uma vida digna. Não é possível que em um tempo de seca, de sofrimento por parte do nosso povo, se promova grandes festas gastando milhares de reais que serão evaporados”, afirmou o arcebisbo ao repórter Ed Santos.

A opinião das comunidades da zona rural é divergente quanto à manutenção das festas juninas neste ano. A trabalhadora rural Maria de Lourdes dos Santos, moradora do distrito de Bonfim de Feira, é a favor da suspensão das comemorações. “Os gastos com a festa poderiam ser utilizados para ajudar as famílias que estão sofrendo com a seca”, comentou.

Para o morador do distrito de São José, Edson Oliveira, as festas geram maior visibilidade para a região e não devem ser canceladas. “Quanto maior o número de visitantes, mais crescimento será gerado em nossa região, pois os recursos arrecadados irão impulsionar o desenvolvimento local”, destacou.

Com o objetivo de amenizar os efeitos da seca na zona rural de Feira de Santana, o Governo Municipal tem buscado apoio dos Governos Estadual e Federal, além de realizar a distribuição de água nos distritos através de carros pipa.

*Com informações de Maria Dias.


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