Câncer de Próstata será debatido em Simpósio de Uro-Oncologia, promovido pelo Núcleo de Oncologia da Bahia

Biologia molecular, avanços nos métodos de diagnóstico dos tumores urogenitais (rim, bexiga, próstata e testículo) e os tratamentos mais atuais, como cirurgia robótica, são alguns temas que vão ser abordados no Simpósio de Uro-Oncologia Pós Asco 2012, nos dias 6 e 7 de Julho de 2012, no Hotel Pestana Bahia (no Rio Vermelho). Promovido pelo Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), o evento, coordenado pelos oncologistas Gildete Lessa e Erico Strapasson, tem como objetivo garantir a educação continuada e estimular a troca de experiências na área. O evento é dirigido a médicos urologistas, oncologistas, radioterapeutas, radiologistas, patologistas, enfermeiros, farmacêuticos, residentes e estudantes de medicina. Dentre os convidados nacionais, nomes como Miguel Srougi (SP), Katia Ramos (SP), Carlos Dzik (SP), Carlos Augusto Andrade (RJ) e Rafael Coelho (RJ). Mais informações: (71) 2107-9684.

Durante a programação, serão abordados e discutidos os trabalhos mais relevantes que foram apresentados no ASCO 2012, no início de Junho, em Chicago. O congresso anual da ASCO (American Society of Clinical Oncology) é considerado o principal encontro de especialistas em oncologia do mundo.

Câncer de próstata: alta incidência e tabu

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Segundo estimativa do INCA, no ano de 2012, o Brasil deverá apresentar 60.180 casos novos de câncer da próstata, o que corresponde a um risco estimado de 62 casos novos a cada 100 mil homens. Nas regiões Sudeste (78 novos casos a cada 100 mil homens) e Nordeste (43 novos casos a cada 100 mil homens), o tumor é o mais incidente no sexo masculino. Em 2010, o câncer de próstata foi responsável por 12.778 mortes no país.

Apenas 20% a 25% dos casos de câncer de próstata apresentam sintomas, o que reforça a importância dos exames de rotina. Em sua fase inicial, a neoplasia da próstata evolui silenciosamente sem apresentar sintomas. Com o tempo, podem surgir sintomas como dificuldade para urinar, aumento do número de micções e jato urinário fraco. Em fase mais avançada, pode ocorrer dor óssea e até infecção generalizada ou insuficiência renal. A grande maioria dos tumores de próstata cresce de forma lenta (cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ), sem nunca dar sinais durante a vida e nem ameaçar a saúde do homem. No entanto, alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

A elevação da incidência no Brasil pode ser em parte atribuída ao aumento da expectativa de vida do brasileiro e à evolução dos métodos diagnósticos (exames) registrados nos últimos anos. O tumor de próstata é considerado uma doença da terceira idade, já que mais de 60% dos casos diagnosticados no mundo acometem homens a partir dos 65 anos. “Os exames periódicos para a prevenção do câncer de próstata, como o toque retal e o PSA, devem ser feitos anualmente por homens a partir dos 45 anos de idade. Nos casos de quem tem histórico familiar, principalmente no pai, irmão ou tio, o exame deve ser feito a partir dos 40 anos”, recomenda a oncologista Gildete Lessa.

No entanto, o preconceito, o machismo e a desinformação ainda impedem que boa parte dos homens façam seus exames preventivos para o câncer de próstata. Muitos ainda resistem a submeter-se ao exame de toque, indispensável para avaliar o tamanho da próstata e dos nódulos ao seu redor. Quando no exame de toque é percebido algum endurecimento, nódulo ou massa tumoral, há a possibilidade de ser câncer de próstata. Outro exame fundamental para o rastreamento da doença é o teste de dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA), que é feito através de exame de sangue. “Com o diagnóstico precoce, o câncer de próstata pode ter 95% de chance de cura”, explica o oncologista Erico Strapasson.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a raça negra aparece com maior risco de incidência do câncer de próstata do que a raça branca. A doença é mais comum nos EUA, países caribenhos e Brasil que nos países asiáticos. Além da idade, a etnia e a história familiar (hereditariedade) também são fatores de risco para o tumor de próstata. Os americanos e caribenhos com descendência africana apresentam as mais altas taxas de incidência da neoplasia no mundo devido a disposição genética da raça.

A próstata é uma glândula que se localiza na parte baixa do abdômen do homem. É um órgão muito pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

Prevenção

Ter uma alimentação saudável – dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos, cereais integrais, vitaminas D e E, licopeno e Ômega-3 – funciona como fator de proteção. Além disso evitar os embutidos, consumir menos gordura (principalmente de origem animal), praticar atividade física regularmente, manter o peso adequado, diminuir o consumo de álcool e não fumar são alguns dos hábitos de vida recomendados pelos especialistas.


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