
Em seu primeiro discurso como prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) agradeceu aos eleitores, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à presidenta Dilma Rousseff, aos partidos coligados, aos militantes e aos partidos opositores ao PT. Haddad disse que foi eleito por um “sentimento de mudança que domina a alma do povo de São Paulo”. Ele obteve 3.387.720 votos dos paulistanos (55,57% dos votos válidos) contra 2.708.768 (44,43%) de José Serra (PSDB).
Segundo ele, sua eleição significa “que não há tempo a perder” e que é preciso unir a cidade em torno de um projeto. “Meu objetivo central está plenamente delineado, discutido e aprovado pela maioria do povo de São Paulo. É diminuir a grande desigualdade existente em nossa cidade, derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica da pobre, ” disse ao discursar no Hotel Intercontinental, onde foi recepcionado por correligionários.
“Agradeço em primeiro lugar aos milhões de homens e mulheres que me confiaram o voto. Muito obrigado aos moradores de São Paulo,” disse. Ele acrescentou: “Por último, quero agradecer a todos os meu opositores, porque me obrigaram nesta campanha a extrair o melhor de mim para poder superá-los numa disputa limpa e democrática.”
Haddad disse que pretende fazer parcerias com o governos federal, estadual e com empresas privadas, além de investir em serviços essenciais, como saúde, transporte, educação e habitação. “Melhorar esse serviços é também uma forma de diminuir o desequílibrio.”
O petista pretende ainda resgatar a vocação empreendedora da capital paulista. “São Paulo tem que voltar a ser farol e antena. Farol para iluminar seus passos e do Brasil e antena para captar o que existe de mais moderno”.
Depois do discurso que durou 14 minutos, Haddad deixou o Hotel Intercontinental, sem falar com a imprensa. Durante o discurso, o prefeito eleito estava acompanhado de diversos ministros – Marta Suplicy (Cultura), Aloizio Mercadante (Educação), Alexandre Padilha (Saúde), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) – além de Gabriel Chalita, candidato do PMDB derrotado no primeiro turno, Gabriel Chalita, e do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), ambos apoiaram a candidatura do petista. O ex-presidente Lula não estava no local.

Haddad diz que vai se dedicar de corpo e alma para governar São Paulo
“Pretendo me dedicar de corpo e alma para governar São Paulo. Esta cidade precisa de dedicação”, foi como o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que será a marca de sua gestão na maior cidade do país. Eleito com 55,94% dos votos válidos (92% das urnas apuradas), Haddad deu entrevista exclusiva à TV Brasil e comentou sobre seu plano de governo.
Aos 49 anos, o petista vai governar a cidade com o maior Produto Interno do Brasil (PIB) do Brasil, com 11,5 milhões de habitantes e graves problemas envolvendo habitação, transporte, segurança, saúde e educação.
Na opinião de Haddad, é preciso redefinir os espaços de habitação da cidade e melhorar a mobilidade das pessoas que moram na periferia. “É uma cidade muito desequilibrada. O emprego está longe da moradia, o lazer está longe do emprego”. Segundo ele, para governar São Paulo é necessário superar métodos atrasados. Ele também defendeu uma reforma urbana. “São Paulo reúne todas as condições para realizar esta mudança”, disse.
Sobre os problemas relacionados à moradia, o petista disse que vai retomar os investimentos em habitação com o foco na infraestrutura das comunidades. “Cada bairro tem que ter vida própria, com serviços públicos, comércios, moradia”, acrescentou que irá investir ainda em áreas verdes para a capital paulista voltar a respirar.
O prefeito eleito destacou retomada nos investimentos em saneamento básico, como medida para evitar os alagamentos na cidade. Haddad disse que considera inadmissível que o centro da cidade, em especial o Vale do Anhangabaú, ainda sofra com os alagamentos no período das chuvas. “Pretendo retomar o plano de macrodrenagem, ainda da gestão do PT na prefeitura, que foi abandonado”, disse.
Sobre o transporte público, um dos principais temas da campanha, Haddad disse que vai investir nos corredores exclusivos para ônibus. O prefeito pretende contar com a parceria do Ministério das Cidades para entregar, em quatro anos, 150 quilômetros desses corredores.
Haddad relatou que vai pretende conversar com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre a parceria relacionada ao metrô. Na sua opinião, o acordo entre a prefeitura e o estado não estipula os compromissos com a construção de mais linhas e estações. “A parceria atual me parece desequilibrada. A prefeitura entra com o dinheiro e o metrô não entra com compromisso. Eu quero saber que estação vai ser construída e em quanto tempo, que nova linha vai ser implantada e isso não está claro no termo de parceria”, criticou.
Para dar conta dos desafios relativos à geração de emprego e renda, Haddad disse que São Paulo precisa redescobrir a sua vocação. Na opinião do prefeito eleito, além de ser o centro financeiro do país, São Paulo tem a vocação para a prestação de serviços e reúne um grande número de universidades e centros de pesquisa, o que favorece essa redescoberta.
O caminho, para o prefeito eleito, é investir na chamada nova economia com o incentivo ao desenvolvimento de softwares, games e vídeos – atividades geradoras de emprego e renda, principalmente para os jovens. “Nós estamos prevendo no nosso plano de governo o fomento a laboratório de garagens focados no desenvolvimentos de softwares. O Poder Público tem que organizar isso para que se traduza em bens, em conhecimento.”
Haddad disse que vai implantar aulas em tempo integral para os estudantes do ensino fundamental. Os alunos passariam um turno na escola e outro em um espaço público, como bibliotecas. Outra meta é ampliar o número de creches para acabar com o déficit estimado de 140 mil vagas. “Primeiro, vou trazer R$ 250 milhões do governo federal que estão disponíveis para São Paulo e que, infelizmente, não foram acionados pela prefeitura”.
O plano de governo do petista ainda prevê parcerias para implantar, nos bairros da cidade, o programa Universidade Aberta do Brasil, sistema integrado por universidades públicas que oferecem cursos de nível superior à distância para quem tem dificuldade de acesso à formação universitária.
No que diz respeito à segurança, Haddad defendeu a ocupação por parte do Poder Público nas áreas com alto índice de violência, o investimento na polícia comunitária e a adoção de políticas sociais para jovens.

PT volta a administrar São Paulo depois de oitos anos
Depois de oito anos, o PT retoma o comando da maior e mais importante cidade do Brasil. A vitória de Fernando Haddad – ex-ministro da Educação na gestão petista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff – significa a interrupção de um ciclo em que a capital paulistana foi comandada pela dobradinha PSDB e Democratas (DEM). Haddad venceu com 54,5% o candidato do PSDB José Serra, que obteve 44,4% dos votos válidos.
A última petista a governar a cidade foi a atual ministra da Cultura, Marta Suplicy, no período de 2001 a 2004. A então prefeita do PT perdeu para José Serra, derrotado hoje. Dois anos depois, o tucano deixou a prefeitura nas mãos do vice, Gilberto Kassab – à época no DEM e atualmente um dos fundadores do PSD – para disputar o governo do estado.
Fernando Haddad foi escolhido pessoalmente pelo ex-presidente Lula para disputar a prefeitura da capital. A ex-prefeita Luiz Erundina (PSB) chegou a ser escolhida candidata à vice-prefeita na chapa de Haddad, mas desistiu da vaga, que foi ocupada por Nádia Campeão (PCdoB). Erundina foi a primeira petista a governar a capital paulista.
O prefeito eleito construiu um ampla coligação, inclusive com políticos tradicionalmente adversários do PT como Paulo Maluf (PP). No segundo turno, Fernando Haddad recebeu o apoio do PMDB do candidato derrotado no primeiro turno, Gabriel Chalita. No discurso de vitória, Haddad fez questão de agradecer ao vice-presidente da República, Michel Temer – presidente licenciado do PMDB – pelas articulações políticas em favor de sua candidatura.
No início do ano, o prefeito eleito de São Paulo deixou o Ministério da Educação para se lançar pré-candidato. Na ocasião, ela tinha menos de 5% das intenções de votos.
O cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto avaliou que Fernando Haddad aproveitou o desgaste do PSDB e do DEM para alcançar a vitória. “[Esse grupo] vinha com uma administração mal avaliada e uma fadiga de quem estava [no poder] em São Paulo há mais de 20 anos”.
Barreto disse ainda que não acredita em transferências de votos de Lula e Dilma para o prefeito eleito. “O maior mérito do ex-presidente Lula foi analisar o momento e impor um candidato novo mesmo que ninguém acreditasse nele.”
*Com informações da Agência Brasil.
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