Comércio ilegal de bebidas alcoólicas representa 20% do consumo no Brasil

Uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas constatou que cerca de 20% das bebidas alcoólicas consumidas no Brasil são vendidas de forma ilegal. Entre as bebidas destiladas, mais de 60% vem da informalidade. Segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% do álcool consumido no mundo é sem registro.  Um estudo inédito realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo (Cebrid – Unifesp), traz dados alarmantes sobre bebidas alcoólicas não registradas no Brasil.

O trabalho de pesquisa da Cebrid – Unifesp foi dividido em três frentes: entrevistas com vendedores, entrevistas com produtores e análise química de 65 amostras de bebidas alcoólicas fermentadas ou destiladas. Para a realização da pesquisa, foram estudadas 65 amostras de bebidas alcoólicas fermentadas ou destiladas. Os materiais passaram por quatro análises químicas. Apenas oito amostras eram registradas.

Muitas amostras apresentaram metanol, o mais tóxico dos alcoóis – responsável por vários casos de envenenamento e intoxicação fatal. Um significativo número de amostras apresentaram alta concentração de água. O valor de etanol para cachaça deve ser de 40%, todas as amostras estavam abaixo

Dentre as amostras, foram encontradas diversas substâncias que podem causar sérios danos à saúde. O processo de destilação e as condições de armazenamento afetam de forma significativa a formação de substâncias como carbamato, em cachaça. Para evitar a liberação de cianeto, é essencial que a irradiação de luz seja mínima e que o tempo de estocagem seja pequeno.

Dez amostras apresentavam teor de cobre acima do limite permitido, que é de 5 mg/L. Em uma das amostras o teor era de 27,57 mg/L. A maior parte das amostras apresentou pH ácido, entre 3 e 5. Sendo que 12 tinham pH maior do que 5.  A acidez em cachaças pode ser ocasionada pela contaminação da cana-de-açúcar ou do próprio mosto fermentado por bactérias acéticas tanto na estocagem da cana quanto do próprio caldo.

Os consumidores das bebidas comercializadas informalmente atribuem a preferência devido a oferta do serviço e comodidade em adquirir o produto, sem precisar se deslocar até um supermercado. Para os comerciantes, o preço/lucro é o principal motivo que levam ao comercio ilegal. A maioria tem conhecimento de que exercem uma atividade ilegal de venda em que os produtos são obtidos para revenda sem as devidas notas fiscais.

A pesquisa entrevistou vendedores de bebidas não registradas, maiores de 18 anos, que trabalham em diferentes ambientes das cidades de São Paulo e Diadema. O levantamento apontou que 20% chegou a declarar que compravam a bebida para a revenda de produtos informais e 6,5% tinham produção própria das bebidas que vendiam. Dos entrevistados, 81,4% declararam vender bebidas alcoólicas não-registradas,  de alambiques (cachaça – 14,3%); batidas/cachaça/pinga (45,7%) e/ou bebidas contendo plantas (11,4%).

Apenas 39,5% declararam conhecer as fontes como fabriquetas; fundos de quintal instalados em residências. Quase a metade dos vendedores não têm conhecimento de origem destas bebidas e não sabem como elas são fabricadas, principalmente as bebidas falsificadas e quase 30% obtinham as bebidas de produtores informais e/ou produziam diretamente.

 A informalidade na produção das bebidas alcoólicas pode levar a morte e encontra espaço no país devido a diversos fatores, como brechas de fiscalização, sobretaxas ao setor, entre outros. Mas há um cenário em especial onde o comércio ilegal é ainda mais estimulado, quando há restrição. As medidas de restrição possuem o agravante de fomentar o consumo de produtos ilegais, sem qualquer fiscalização sanitária e contribuição fiscal.


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