Pastor brasileiro abre portas de igreja após massacre nos EUA

Do lado de fora da casa onde vive, em Bethel, Connecticut (EUA), o pastor evangélico Walcir da Silva podia ver na noite de ontem (14/12/2012) o estacionamento “quase completamente lotado” da igreja onde trabalha. Mas não por causa do concerto de Natal marcado para as 7h daquela noite, evento cancelado mais cedo. Em qualquer outro momento, o natural seria que os cerca de 500 lugares disponíveis estivessem praticamente vazios.

“Em uma hora dessas, o pessoal encontra nas igrejas um verdadeiro refúgio”, disse o pastor. Morando há cerca de um ano e meio na comunidade, distante apenas pouco mais de dez quilômetros da escola de Sandy Hook, Newtown, o pastor se diz “impactado com a reação das pessoas à procura de conforto religioso”. O efeito da morte de 27 pessoas, entre elas 20 crianças, no vilarejo de Newtown, foi comparável à de um desastre natural de escala muito maior, acrescentou.

Walcir destacou que esse impacto na comunidade “é uma crise que vai além do social, não é uma crise comum”, disse ele à BBC Brasil. “É um ato de violência que expõe a fragilidade da sociedade em que vivemos. Uma sociedade em que alguém, de um instante a outro, pode fazer algo assim e causar tanta destruição.”

Depois do massacre, muitas igrejas nas proximidades de Newtown anunciaram vigília de 24 horas para pedir pelas vítimas. O musical que seria apresentado na Igreja Comunitária de Walnut Hill, onde o pastor Walcir se encarrega do ministério da diversidade, fazendo sermões em português, também foi desmarcado.

Em discurso emocionado, Obama pede ação real para evitar novas tragédias

O presidente americano Barack Obama fez nesta sexta-feira (14/12/2012) um discurso bastante emocionado sobre o ataque a uma escola primária em Newtown, no estado de Connecticut. “Como país, já passamos por isso vezes demais”, disse o presidente em referência ao massacre em que um atirador abriu fogo contra alunos e funcionários, deixando ao menos 27 mortos, incluindo crianças entre 5 e 10 anos.

“Precisamos nos unir e tomar ações reais para evitar outras tragédias como essa, deixando de lado questões políticas.” Segundo correspondentes da BBC nos Estados Unidos, essa seria uma referência à aprovação de leis mais duras para a venda de armas.

Com lágrimas nos olhos, Obama disse que acreditava que todos os pais estavam se sentindo como ele – que tem duas filhas. “Nada substitui a perda de um filho. A maioria dos que morreram hoje era de crianças. Lindas crianças que tinham entre 5 e 10 anos. Eles tinham a vida inteira pela frente… aniversários, formaturas, casamentos, filhos”, disse o presidente, após chorar e interromper seu discurso algumas vezes.

Obama disse que governo vai providenciar todos os recurso necessários para investigar o caso. O presidente já havia expressado suas condolências às famílias das vítimas e conversou com o diretor do FBI e com o governador de Connecticut sobre o caso.

Atirador mata 20 crianças e seis adultos em escola nos EUA

A polícia americana confirmou que 20 crianças e seis adultos foram assassinados pelo atirador que invadiu uma escola primária em Connecticut, nos Estados Unidos, na manhã desta sexta-feira (12). O criminoso, Adam Lanza, de 20 anos, morreu no local, segundo a imprensa. O ataque aconteceu às 9h30 (12h30 de Brasília) no colégio primária Sandy Hook, que tem cerca de 600 alunos entre 5 e 10 anos, e fica em Newtown.

Segundo o tenente Paul Vance, da polícia da região, o corpo de um adulto foi encontrado em uma segunda cena de crime na cidade de Newtown. A imprensa americana informou que a vítima é o pai do atirador – supostamente assassinado antes do massacre. A mídia dos EUA informou que entre as vítimas na escola estava a mãe do atirador, Nancy Lanza, professora do jardim de infância e que morreu no ataque.

Segundo Vance, o tiroteio começou por volta das 9h30 (12h30 de Brasília). Lanza conseguiu entrar na escola por ser conhecido pelos funcionários, segundo a imprensa local. O tenente Vance disse que o tiroteio se restringiu a apenas uma parte da escola, em duas salas.

A polícia chegou à escola pouco depois de ser avisada por telefone do ataque. O local foi imediatamente cercado e invadido por equipes da polícia, que retiraram todos os sobreviventes e um ferido. Imagens aéreas mostravam várias ambulâncias e veículos de resgate ao redor da escola horas após o ataque.

Richard Wilford, pai de um aluno da escola Sandy Hook, disse ter telefonado para a polícia após receber a notícia de que havia ocorrido um tiroteio na região. “Eles [policiais] disseram que o tiroteio foi na Sandy Hook. Então eu e minha mulher descemos a rua correndo e chegamos à escola. Não há palavras que possam chegar perto de descrever o terror de ouvir a notícia de que o seu filho está em um lugar onde houve violência”. O filho dele não foi ferido no tiroteio.

“[Meu filho] escutou sons muito altos. Ele os descreveu como panelas caindo. A professora dele foi verificar e logo trancou a porta da sala de aula. Eles ficaram em um canto da sala até serem resgatados pela polícia.”

Esse é o segundo pior massacre do gênero ocorrido nos Estados Unidos – atrás apenas do ataque que deixou 37 mortos na Faculdade Virginia Tech em 2007.

O ataque à escola Sandy Hook é também o terceiro grande ataque de atirador ocorrido neste ano. Em julho, um criminoso matou 12 pessoas durante a exibição do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge em um cinema no Colorado, e no mês seguinte un atirador matou seis pessoas em um templo Sikh em Wisconsin.

Em um discurso emocionado, o presidente Barack Obama chorou lamentando as mortes e apresentou suas condolências. “Precisamos nos unir e ter ações reais para evitar outras tragédias como essa”, afirmou.

*Com informações da BBC Brasil.


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