O deputado estadual Carlos Geilson (PTN-BA) criticou a política de saúde pública de Feira de Santana, apontando a insuficiência de leitos hospitalares e a falta de investimentos adequados no setor de maternidade nos últimos 20 anos. Em nota divulgada à imprensa, Geilson afirmou que “são exatamente 154 leitos para atender Feira de Santana e mais 28 municípios pactuados pelo SUS. Além disso, são apenas 12 leitos de UTI neonatal, para gravidez de risco, sendo seis no Hospital da Mulher e seis no Hospital Geral Clériston Andrade. É evidente que é muito pouco”.
A crítica de Geilson reflete a insatisfação com a gestão dos serviços de saúde no município, que, segundo ele, carece de investimentos significativos para atender à demanda da população local e das cidades vizinhas que integram o sistema de saúde. O deputado ressalta que os problemas no setor de saúde vêm se acumulando ao longo das últimas duas décadas, com impactos diretos no atendimento às gestantes.
“Ou Feira de Santana tem uma maternidade ampla e moderna, à altura do município e da microrregião, ou muitas grávidas ainda vão viver o vexame e a falta de respeito na hora de dar à luz aos seus filhos”, afirmou.
Insuficiência de leitos e falhas na gestão hospitalar
Segundo Carlos Geilson, os leitos disponíveis nos hospitais de Feira de Santana são insuficientes para atender à população local e aos municípios que possuem convênios com o sistema de saúde do município. A quantidade limitada de leitos de UTI neonatal é outro ponto de destaque nas críticas do deputado, que considera o número inadequado para a demanda de partos de alto risco.
Nos últimos anos, os investimentos no setor de saúde foram insuficientes, com pouca ênfase na ampliação da infraestrutura hospitalar. Geilson argumenta que, diante do crescimento populacional e da demanda crescente por serviços de saúde, seria necessária a construção de uma maternidade moderna e capaz de atender às necessidades da região.
Impacto político e críticas à gestão de José Ronaldo
As críticas de Geilson têm como alvo a gestão do prefeito José Ronaldo, que, ao longo de seus mandatos, não conseguiu avançar na ampliação e modernização dos serviços de saúde de Feira de Santana. No total, o grupo político de José Ronaldo tem comandado a administração do município nos últimos 12 anos, com Ronaldo exercendo oito anos consecutivos de mandato, seguidos por quatro anos de Tarcízio Pimenta, e sendo retomado o comando do Executivo municipal por Ronaldo em 2013.
Geilson aponta que a gestão de José Ronaldo destinou uma parte significativa dos recursos federais da saúde para o pagamento de exames laboratoriais, em detrimento da melhoria da infraestrutura e ampliação dos serviços médicos. O resultado, segundo o deputado, é uma rede de atendimento básico considerada inadequada para as necessidades da população.
Um médico da cidade de Feira de Santana, que preferiu não se identificar, declarou que a política de implantação de postos de saúde no município não seguiu uma lógica de boa gestão, resultando em unidades construídas em condições inadequadas para a realização de procedimentos médicos.
Medidas polêmicas na gestão da saúde
Entre as ações questionadas pelo deputado e por outros críticos da gestão, está a construção de um edifício anexo ao Hospital da Mulher para a implantação de um hospital infantil. A obra foi realizada sob a administração de José Ronaldo, mas gerou controvérsias, especialmente após a inauguração do Hospital Estadual da Criança pelo Governo do Estado, durante a gestão de Jaques Wagner. Geilson argumenta que, em vez de insistir na construção de uma unidade infantil anexa ao Hospital da Mulher, o prefeito poderia ter optado por ampliar os serviços da maternidade existente, o que teria proporcionado maior eficiência no atendimento à população.
Outra medida polêmica foi a transformação do prédio da Secretaria de Saúde, localizado na Avenida João Durval, em repartição administrativa. O edifício, originalmente projetado para abrigar serviços médicos, foi adaptado para atividades burocráticas. Segundo críticos, essa decisão comprometeu a qualidade dos serviços de saúde no município. Um profissional da área de saúde afirmou que “o prédio deveria abrigar serviços médicos. Foi projetado e construído com essa finalidade, mas José Ronaldo preferiu implantar um serviço burocrático. Foi uma decisão que prejudicou a qualidade dos serviços hospitalares do município”.
Escândalos e falta de transparência na gestão de recursos
A gestão dos recursos públicos destinados à saúde também foi alvo de críticas ao longo das administrações de José Ronaldo e Tarcízio Pimenta. Durante o governo de Tarcízio, dois escândalos envolvendo a saúde foram denunciados pela imprensa local. O primeiro diz respeito à compra excessiva de pulseiras de identificação de recém-nascidos, em quantidade suficiente para atender a demanda de nascimentos em Feira de Santana por décadas. O segundo escândalo envolve o transporte de quentinhas, que eram levadas dentro de ambulâncias para serem servidas aos funcionários do hospital.
Essas práticas, segundo relatos da época, começaram ainda durante a gestão de José Ronaldo e foram expostas pela imprensa feirense. A falta de transparência na gestão dos recursos da saúde foi outro ponto abordado por Geilson, que destacou a dificuldade de se identificar como os recursos são aplicados.
“A gestão dos recursos é uma verdadeira ‘caixa preta’. Embora a Lei estabeleça a transparência com relação aos gastos públicos, é difícil identificar como os recursos da saúde são geridos”, afirmou o deputado.
Feira de Santana, como gestor do sistema pleno de saúde, é responsável pela administração dos recursos federais destinados à saúde, não apenas para o município, mas também para os outros 28 municípios conveniados. A falta de clareza na gestão desses recursos foi apontada por Geilson como um dos principais problemas do setor.










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