Em Feira de Santana, silêncio do Ministério Público com relação ao viaduto que leva o nome de José Ronaldo é uma vergonha para a instituição

O complexo viário José Ronaldo de Carvalho, localizado na confluência das Avenidas José Falcão com Fróes da Motta, em Feira de Santana, é uma demonstração clara do quanto à patrimonialização e personalização do que é público conta com o convivente silêncio do Ministério Público da Bahia.

Reis, imperadores, ditadores e tantos outros despostas tinham por hábito nomear edificações, vias e monumentos com os próprios nomes. Uma prática tão antiga quanto à própria humanidade, que foi abolida com a Revolução Francesa. Oportunidade em que se instituiu a tripartição dos poderes, o sufrágio, e o conceito jurídico de igualdade entres os homens.

No Egito, a Esfinge de Gizé,a Pirâmide de Quéfren e o complexo piramidal de Miquerinos são exemplos milenares de governantes que na tentativa de imortalizam-se construíram monumentos com os próprios nomes. Muitos, se não quase a totalidade são marcados por trabalho escravo, ou semiescravo, bem como o uso coercitivo da violência.

Alguns milênios depois, em Feira de Santana, um atento leitor do Jornal Grande Bahia escreve para a redação indignado com o fato do complexo viário da Cidade Nova (José Ronaldo), pago com os recursos da sociedade brasileira, receber o nome de um governante vivo, levando a questionar o conivente papel do Ministério Público com o poder local, além do desprezo que demonstram com relação a princípios constitucionais e humanitários.

O mesmo leitor alerta que durante os dois governos anteriores de José Ronaldo, outra prática adotada foi o de vereadores indicarem parentes, se não as próprias esposas, para ocupar cargos no governo municipal. O leitor diz que a violação constitucional não parou, e foi além, “até mesmo secretários tinham parentes ocupando cargos de confiança na prefeitura”.

A sociedade espera que o Ministério Público comece a agir no sentido de acabar com práticas inconstitucionais e antirrepublicanas em Feira de Santana, sob pena de se tornarem obsoletos, levando a sociedade a questionar: Para que serve o Ministério Público?

Complexo viário da Cidade Nova leva o nome do prefeito José Ronaldo Carvalho. Patrimonialização e personalização de bens públicos.
Complexo viário da Cidade Nova leva o nome do prefeito José Ronaldo Carvalho. Patrimonialização e personalização de bens públicos.

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