Árvores sombreiras. Daime Luz, Paz e Amor

Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

O Mestre Raimundo Irineu Serra organizou um culto cristão, em Rio Branco – Acre (1930), onde uma das principais práticas ritualísticas está na ingestão da bebida de origem indígena ayahuasca, nome quéchua para a decocção do cipó banisteriopsis caapi e da folha psychotria viridis.

Esta é a Doutrina do Daime, ou Santo Daime, nome que designa a bebida de “poder inacreditável”. Vinho das almas, liana do espírito, cipó dos mortos. O Daime é o vinho do êxtase espiritual. E quem provar do vinho do êxtase espiritual saberá que nenhuma outra experiência pode ser igual.

A doutrina do Santo Daime é praticada através de culto essencialmente musical. Os hinos expressam o contato do daimista com a realidade sagrada, são revelações divinas manifestadas em forma musical.

Num hino recebido por uma discípula de primeira hora, o Rei Juramidã — nome mítico do fundador da Doutrina — se define como “Árvore Sombreira”, aquele que traz conforto para os seus.

Existem duas outras doutrinas ayahuasqueiras surgidas no Norte do país, religiões genuinamente brasileiras. São doutrinas cristãs reveladas.

Em 1945, o maranhense Daniel Pereira de Mattos funda o Centro Espírita e Culto de Oração “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, o Barco Santa Cruz; e o baiano José Gabriel da Costa entra em contato com o chá que é utilizado desde tempos imemoriais pelas comunidades indígenas amazônicas, tem uma revelação mística e funda uma doutrina. Surge o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Era o ano de 1961.

Daniel Pereira de Mattos será discípulo do conterrâneo Mestre Irineu entre os anos de 1937 e 1945, quando recebe do Senhor São Francisco das Chagas a Missão de fundar uma Doutrina. Ele pede as bênçãos e o apoio de Irineu Serra. Os primeiros cinco litros de Daime que Mestre Daniel vai distribuir no início das suas obras de caridade será um Daime cedido pelo velho mestre e amigo Irineu.

Mestre Raimundo Irineu Serra não conheceu pessoalmente a José Gabriel da Costa. Mas teve notícia do seu trabalho espiritual por amigos comuns de Porto Velho, Rondônia, onde Mestre Gabriel distribuía o chá Huasca — ou Vegetal — junto à sua pequena comunidade religiosa.

Dentre esses amigos comuns se destacava o dirigente do CECLU de Porto Velho, Sr. Virgílio Nogueira do Amaral. O Centro Eclético Cristão Luz Universal era a única sede de serviços de Daime autorizada a funcionar fora do Acre, pelo Mestre Irineu.

Conta-se que, a pedido de Mestre Irineu Serra, seu Virgílio entregou ao Mestre Gabriel um litro de Daime, um presente em sinal de consideração e respeito ao trabalho espiritual desenvolvido por aquele mestre ayahuasqueiro.

Na sua humilde olaria, onde realizava as sessões religiosas, Mestre Gabriel distribuiu entre os participantes o Daime recebido, e, no decorrer desta sessão, traz ao mundo a chamada em que parafraseia a palavra “Daime”, cuja origem é o verbo dar, invocando os divinos poderes contidos neste misterioso chá.

“Dai-me Força
Dai-me Luz
Dai-me o Divino Amor.”

Esta chamada intitula-se “Correi para onde tem sombra”.

Árvores sombreiras, Irineu, Daniel e Gabriel, Daime Luz, Paz e Amor, mestres ayahuasqueiros que nos mostram esta Divina Luz.

Nossa eterna gratidão aos mestres Irineu, Daniel e Gabriel, que trabalham em benefício da humanidade numa só emanação de amor.


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