“Em plena democracia, um jornalista é condenado pelos simples fato de dizer a verdade”, afirma Joseildo

Joseildo Ramos: “É contraditório. A justiça parece proteger a tortura e censurar os atos de barbárie. Parece que os fantasmas da Ditadura vivem a rondar por aí. Em plena democracia, um jornalista é condenado pelos simples fato de dizer a verdade”
Joseildo Ramos: “É contraditório. A justiça parece proteger a tortura e censurar os atos de barbárie. Parece que os fantasmas da Ditadura vivem a rondar por aí. Em plena democracia, um jornalista é condenado pelos simples fato de dizer a verdade”

Durante audiência pública da Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa do Estado, realizada na manhã desta terça-feira (21/05/2013), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, o deputado Joseildo Ramos (PT), saiu em defesa do jornalista e suplente de deputado federal, Emiliano José (PT).  O parlamentar criticou a decisão judicial que obrigou o petista a retirar do site um artigo de sua autoria que relata a prática de tortura pelo bispo Átila Brandão, tenente da Polícia Militar na época da Ditadura. “É contraditório. A justiça parece proteger a tortura e censurar os atos de barbárie. Parece que os fantasmas da Ditadura vivem a rondar por aí. Em plena democracia, um jornalista é condenado pelos simples fato de dizer a verdade”, criticou Joseildo.

A juíza Marielza Brandão, da 29ª Vara dos Feitos de Relação de Consumo, Cíveis e Comerciais de Salvador, obrigou Emiliano José a retirar o artigo “A premonição de Yaiá”, também publicado no Jornal A Tarde, que aponta o pastor Átila Brandão, que atualmente é pastor da Igreja Batista do Caminho das Árvores, como responsável pelas torturas sobre o historiador Renato Afonso Carvalho, filho de Maria Helena Carvalho (Dona Yaiá). Presidida pelo deputado Marcelino Galo (PT), a Comissão tem o objetivo de trazer à tona as violações de direitos humanos praticadas durante o período da ditadura militar na Bahia.

“Não podemos esquecer jamais daquela geração de lutadores e lutadoras que ousou peitar a ditadura e pagou o preço de ser perseguida, presa, torturada e morta. Isso não tem perdão”, declarou Gilney Viana, assessor da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e ex-preso político. Viana citou ainda as vítimas que foram inicialmente ignoradas pelas estatísticas por se tratarem de camponeses, desvinculados de filiação partidária, mas que possuiam atuação política. O evento contou com a presença do Grupo Tortura Nunca Mais, do Comitê Baiano da Verdade, representantes de entidades vinculadas aos direitos humanos e da sociedade civil.


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