Cadê os jornalistas? | Por Fernanda Pompeu

Não é impressão, sensação, nem percepção. É fato! Estamos vivendo uma revolução no jeito de produzir e consumir informações. Nas últimas semanas vimos, aqui no Brasil, enxugamento de cadernos de jornais e fechamento de títulos. Tudo isso levando a demissão de jornalistas, o chamado passaralho.

É evidente que qualquer demissão é dramática. Significa deixar de receber o salário no fim do mês e ter que redesenhar a vida. Também desvaloriza ainda mais o já maltratado profissional das notícias impressas.

Creio que o X da questão está na mudança do modelo de comunicação. Antes da chamada internet 2.0 – aquela em que qualquer um posta conteúdo, comenta, compartilha – tínhamos o jornalista como o intermediário entre o fato e o leitor.

O sujeito estudava, se aprimorava, somava experiência para contar, nas páginas impressas, aquilo que ia pelo mundo. O modelo funcionou por mais de séculos. Meu pai, nascido em 1930, leitor diário de jornais, afirma que aprendeu história, geografia, economia lendo a imprensa.

Então vieram as ferramentas digitais – rápidas, fáceis, inclusivas – questionando a ideia do jornalista dono-da-verdade, do emissor absoluto de mensagens. O leitor pensou: Peraí, eu também posso contar o fato do meu ponto de vista. Posso gravar o incêndio com o meu celular. E – pulo do gato -posso postar tudo isso!

Também é fato que a maioria dos leitores digitais não produzem narrativas originais, mas comentam e comentam tudo o que leem ou veem, criando múltiplas narrativas. Fazem isso de maneira direta e instantânea.

Na altura deste pânico, quem tem que se mexer são os jornalistas. Na minha modesta opinião, uma saída é migrar em massa para o ambiente web. Certamente, por caminhos a serem inventados. Ao contrário das redações tradicionais, não existe manual para dizer o que fazer e o que não fazer para ser remunerado na internet.

A boa notícia é que textos brilhantes, reportagens vigorosas, análise de contextos, crônicas gostosas, técnicas de edição continuarão precisando de profissionais, isto é, de webjornalistas! Sem eles, vencerá o tititi eletrônico.

Mas o novo modelo não comporta o jornalista senhor da narrativa. Ele precisa do profissional que compreendeu que entramos em um mundo de narrativas plurais. Um mundo no qual verdades e mentiras são compartilhadas. É nisso que estamos.

*Por Fernanda Pompeu.


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