Ética, dignidade e esperança manipulam mente do eleitor | Por Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes é Jurista e professor, além de Fundador da Rede de Ensino LFG.
Luiz Flávio Gomes é Jurista e professor, além de Fundador da Rede de Ensino LFG.

O povo brasileiro quer mudanças? Sim. O termômetro da saturação do povo brasileiro chegou ao seu limite máximo (conforme a 114ª pesquisa do CNT/MDA, realizada em julho de 2013, a insatisfação com a corrupção – principal causa dos protestos – chegou a 55%; insatisfação com a qualidade dos serviços de saúde: 47,2%; insatisfação com os gastos da Copa do Mundo: 43,7% etc.). Há, na sociedade brasileira, um profundo mal-estar e, em consequência, o desejo de mudança. Aliás, o mesmo desejo de mudança que levou o PT ao poder em 2002 (apesar de todos os medos que ele representava para a sociedade financista conservadora) passou a constituir o combustível das jornadas de junho. Se o povo estivesse satisfeito com a governança do PSDB não o teria trocado pelo PT. Se o povo estivesse satisfeito com a governança do PT não estaria fazendo protestos nas ruas e nas redes sociais (contra tudo e contra todos).

Quais são os desafios do PT e do PSDB para manter ou reconquistar o poder? Eles, juntamente com os seus partidos coligados, têm pela frente uma longa jornada de luta para recuperar a confiança da população (os dois devem ser citados conjuntamente porque é difícil encontrar um desmando no governo petista que não tenha ocorrido também no governo tucano ou em qualquer outro governo precedente). Um exemplo: uso indevido de aviões da FAB – por Renan, Garibaldi, Henrique Alves, Aldo Rebelo etc.-; no tempo do PSDB houve um ministro que chegou a viajar de férias com a família toda para Fernando de Noronha. O PT e o PSDB (dissidente do PMDB de Quércia) nasceram como partidos discursivamente éticos. Por isso conquistaram o poder, mas, antes, o coração e a mente do povo, que depositou confiança neles (do contrário não teriam sido eleitos).

Os partidos políticos deixaram de representar a ética, a dignidade e a esperança? Desgraçadamente, sim. Seguindo, em linhas gerais a análise de Renato Janine Ribeiro (Valor Econômico de 29.07.13, p. A6) temos o seguinte: quando o PT conquistou o que Gramsci chamava de hegemonia? Quando sustentou a ética e a justiça social como bandeiras. Como explica M. Castells (Comunicação e Poder), a persuasão é fundamental. Poder só fundado na coação é débil. A manipulação das mentes é mais eficaz que massacrar os corpos. Na nossa mente está parte do poder. Nossa mente se submete à comunicação, ela recebe sinais, que ativam nossas emoções e decisões. O poder não existe sem comunicação. Ele se constrói no espaço da comunicação. Os meios de comunicação não possuem o poder, sim, são meios da conquista e do exercício do poder.

Ética, dignidade e esperança são as chaves da confiança? Sim. Voltando a Renato Janine Ribeiro (Valor Econômico, de 29.07.13, p. A6): o PT acertou quando fez da questão social uma questão ética (como efetivamente é). A conquista do poder pelos espíritos (pelas mentes) é mais importante que pela vitória das armas (Gramsci). Isso fez com que PT e PSDB crescessem. Também fez que fossem perdendo forças. Os intelectuais “das mentes” deixaram o PT. O partido deixou de ser a esperança do futuro e se tornou pragmático. O partido perdeu líderes, ganhou gestores. As questões sociais deixaram de ser consideradas éticas (nisso reside um grande erro). Nunca a miséria e a pobreza podem ser desconectadas da ética. Do “País rico é país sem pobres” deveriam estar falando em “País rico é país com ética, país digno”. Ética, dignidade e esperança possuem muito mais poder de manipulação das mentes do que a pragmaticidade dos governos.

Luiz Flávio Gomes, jurista e coeditor do portal atualidades do direito.

luizflaviogomes@atualidadesdodireito.com.br


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