A Suíça, conhecida por seu extenso e valioso patrimônio fotográfico, enfrenta desafios complexos relacionados à conservação desse legado cultural. O arquivamento de coleções fotográficas, tanto em formatos tradicionais quanto digitais, é um tema de intenso debate no país. Os especialistas destacam que a preservação desses acervos depende não apenas de soluções técnicas, mas também de decisões políticas e de alocação adequada de recursos financeiros.
Desafios na Preservação de Acervos Fotográficos
A Fundação Suíça pela Fotografia, localizada em Winterthur, desempenha um papel crucial na preservação de imagens históricas. A fundação abriga mais de um milhão de itens fotográficos, incluindo negativos, placas e diapositivos, que são cuidadosamente armazenados sob condições climatizadas para retardar o processo de deterioração. No entanto, como observa Martin Gasser, conservador da fundação, a seleção das imagens a serem preservadas é uma tarefa desafiadora. A instituição deve decidir quais peças são mais significativas, considerando seu valor histórico e cultural, e fazer escolhas difíceis sobre o que guardar ou descartar.
A digitalização das coleções é uma parte vital desse processo, mas também apresenta desafios significativos. A transformação de material fotográfico analógico em formato digital requer investimentos substanciais e não elimina a necessidade de conservar os originais. Além disso, a manutenção dos arquivos digitais exige a migração regular dos dados para novos servidores, devido à rápida evolução das tecnologias. O trabalho é realizado em paralelo por diferentes instituições, como a Biblioteca da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETHZ), que lida com o tratamento e a integração dos catálogos digitais em seu portal E-Pics.
A Produção Fotográfica na Suíça
Desde o início do século XX, a democratização do acesso a câmeras fotográficas contribuiu para a formação de vastos acervos amadores e profissionais. Muitas dessas imagens, no entanto, carecem de informações contextuais ou identificações, o que pode limitar seu valor histórico. Martin Gasser destaca que, enquanto as coleções amadoras frequentemente apresentam temas comuns, como retratos e paisagens não identificados, os acervos profissionais têm um valor mais substancial. O grupo de mídia Ringier, por exemplo, acumulou um impressionante arquivo de sete milhões de fotos entre as décadas de 1930 e 1990. Atualmente, esse acervo está sob a responsabilidade do cantão de Argóvia, que enfrenta o desafio de catalogar e disponibilizar essas imagens ao público.
Desafios e Iniciativas Futuras
O arquivamento fotográfico enfrenta uma série de desafios, incluindo o alto custo de digitalização e a necessidade de uma abordagem unificada para a preservação. Christophe Brandt, diretor do Instituto pela Restauração da Fotografia de Neuchâtel, enfatiza a importância de desenvolver um sistema de arquivo analógico robusto, que garanta a leitura futura dos filmes. A falta de uma estratégia nacional coesa para a preservação dificulta a criação de uma base de dados única e acessível, com diferentes instituições, como o EPFZ, os Arquivos Federais e a Memoriav, trabalhando de maneira independente.
Iniciativas como o Digital Humanities Lab da Universidade de Basileia buscam enfrentar esses desafios por meio de processos automatizados de cópia e arquivamento. A pesquisa visa reduzir os custos associados à digitalização e melhorar a eficiência do armazenamento de dados. O sistema experimental desenvolvido pela universidade pretende oferecer uma solução de longo prazo, tornando a preservação de grandes volumes de dados mais acessível e econômica.
Políticas de Apoio e Financiamento
A Lei sobre o Estímulo da Cultura, em vigor desde 1º de janeiro de 2012, estabelece o apoio financeiro da Secretaria Federal da Cultura à Fundação Suíça pela Fotografia, com um montante anual de 1,25 milhão de francos. A Confederação Helvética também está envolvida na “memopolítica”, que inclui a preservação de todo o patrimônio audiovisual suíço, como fotos, gravações sonoras, filmes e vídeos. Isso é feito através do financiamento da Associação Memoriav, que tem um orçamento anual de 3,5 milhões de francos, sendo 3,1 milhões provenientes do governo federal e o restante de cotizações de membros e da SRG SSR.
A Memoriav tem desempenhado um papel importante na catalogação e preservação de documentos audiovisuais, reunindo informações de 13 instituições de memória suíça. No entanto, a necessidade de um financiamento mais robusto e de uma coordenação melhorada entre as diferentes instituições de preservação continua sendo um desafio.
Preservação do Patrimônio da Imprensa
A doação do arquivo de fotos do grupo Ringier ao cantão de Argóvia destaca a importância dos acervos da imprensa na preservação da memória visual suíça. O inventário desse acervo monumental exigirá várias gerações para ser concluído. O Parlamento cantonal recentemente aprovou um crédito de 1,8 milhões de francos para apoiar o projeto de divulgação e busca de parcerias financeiras, evidenciando o reconhecimento do valor histórico dessas imagens.
Acesse o portal da memória audiovisual da Suíça
*No site https://memobase.ch/de/start, portal para o patrimônio audiovisual da Suíça, Memoriav repertoriou 80 mil documentos audiovisuais de 13 instituições de memória do país.
*Com informações de Isabelle Eichenberger, swissinfo.ch | Adaptação: Claudinê Gonçalves.

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