Interessante e surpreendente livro, de belos e místicos momentos bem narrados pela verve lírica do seu autor.
Nas minhas incansáveis pesquisas de tudo procurar conhecer do universo ayahuasqueiro brasileiro, me deparei, já há mais de uma década, com um excelente livro, escrito por Túlio Cícero Viana, intitulado “O Consagrado Defensor” (1997). Desde então, sempre tive curiosidade de conhecer o autor, saber dele e do seu amigo inseparável, o Dácio Mingrone.
Do Dácio, tive notícia que faleceu precocemente, ainda jovem. Do Túlio, tive notícias fragmentadas, que voltara a morar em Minas Gerais etc.
Bem, nesse mundo informacional e globalizado, que tem na ferramenta Facebook uma das suas expressões, não é que vejo uma troca de mensagens entre o Túlio Cícero e o Amigo músico e artista plástico Júlio César Nave? Pronto! Escrevi mensagem privada ao Túlio, me declarando seu fã, o festejando como autor de uma “obra-prima” etc. e assim fizemos amizade virtual, que se tornará presencial quando o escritor visitar a Bahia, o que ele promete para breve.
As imagens d’O Consagrado Defensor sempre me acompanham e são recorrentes, é como se eu tivesse lido e relido tal livro inúmeras vezes. Foi motivado por esta leitura que, certa vez, em Rio Branco – Acre, fui conhecer a mítica Colônia 5 Mil, onde o Padrinho Sebastião Mota de Melo começou a sua Missão de divulgador da Doutrina do Santo Daime.
Tal qual Túlio Cícero na sua construção literária, às portas da “5 Mil”, aquela imagem que já estava gravada no meu coração é regravada nas minhas retinas fatigadas: o portão de entrada com os dizeres entalhados acima: “Hei de Vencer” — lema do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento e dos discípulos diletos de Raimundo Irineu Serra, Mestre Fundador da Doutrina do Daime.
É assim que começa a sua saga de mais de um ano de convivência com aquela comunidade religiosa, liderada pelo Padrinho Sebastião. Interessante e surpreendente livro, de belos e místicos momentos bem narrados pela verve lírica do seu autor.
Ah… mas a minha curiosidade sobre o paradeiro daquele herói — ou seria anti-herói? — começava de onde termina “O Consagrado Defensor”, isto é, de quando os hippies Túlio e Dácio deixam a Colônia 5 Mil e se aventuram à pé pela floresta amazônica brasileira e selva peruana em caminho à Cidade Imperial de Cusco, Umbigo do Mundo.
E não é que, para matar minha curiosidade, no seu segundo livro, Urubamba, Túlio Cícero Viana nos conta a continuação de sua história? Na verdade ele dá um caráter ficcional, ma non tropo… à sua narrativa, a começar pelos nomes dos personagens: Túrio e Dracon. Não sei por que, mas Túrio me lembra antúrio e Dracon… lembra dragão…. Esta é só uma observação.
Jack Kerouac inaugurou a literatura beat… e Túlio Cícero Viana, funda a literatura hippie? Este me parece o gênero literário de Urubamba. Este livro também pode ser considerado um manual para psiconautas, tendo semelhanças com “Alucinações reais”, de Terence McKenna, e o pioneiro “Cartas de Yagé”, de William Burroughs.
Assim como aconteceu no primeiro livro, Urubamba me conquista já na primeira frase: “Naquele dia em que chegamos a Cusco…” A adorável Cidade de Cusco, cabeça, corpo e rabo do misterioso puma incaico.
Tendo como mote uma improvável e inverossímil história de “busca do tesouro perdido”, isto serve de glosa para as aventuras hippies de Túlio e Dárcio, quer dizer, de Túrio e Dracon: vendedores de artesanato nas ruas de Cusco, a vivência com os índios Matsiguengas na selva peruana, e inúmeras viagens proporcionadas pela bebida ayahuasca.
A história de vida de Túlio me lembra outras tantas histórias de “loucos” amigos aventureiros, aos quais conheci naquele encantador e estranho pedacinho do mundo Terra: o Planeta Acre. Os perfis são muito parecidos: correram o mundo inteiro, conheceram a bebida de “poder inacreditável” ayahuasca, se tornaram cinquentões pais de família e exímios contadores de causos. No caso do Túlio Cícero Viana, escritor de causos.
Narrado em primeira pessoa, em tom autobiográfico e memorialista, o autor transmite uma percepção e visão de mundo que é sua, particularmente sua, e discorre sobre várias outras coisas. Poderíamos dizer:
— É a viagem do cara.
Leia.
Que: Urubamba, Túlio Cícero Viana – São Paulo: PoloPrinter, 2013, 198p.
E-mail do autor: pedraviva5@yahoo.com.br









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