
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa não respondeu a uma única pergunta durante o depoimento à CPI Mista, nesta quarta-feira (17/09/2014). O executivo, que deveria ter sido ouvido como investigado, fez uso do direito de não produzir provas contra ele. Nem ao menos confirmou se fechou um acordo com a justiça para dizer o que sabe sobre corrupção na Petrobras, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de recursos ao exterior, em troca de redução de eventuais penas.
O presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) considerou a reunião frustrante e lamentou que Paulo Roberto Costa tenha concordado em colaborar com a justiça, mas não com a comissão de inquérito. Segundo Vital, o próximo passo será sensibilizar o Supremo Tribunal Federal para que seja compartilhada toda a documentação resultante da delação premiada do ex-funcionário da Petrobras. O encontro com o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, está previsto para a próxima terça-feira (23), às 18h.
– Se a gente não trouxesse o Paulo Roberto, seríamos criticados por estarmos sendo omissos. Não admitimos nenhuma crítica à nossa posição. Nos posicionamos de forma muito presente e determinada em trazer aqui aquele que poderia colaborar com a CPI. Só que ele utilizou uma garantia constitucional, que todo acusado tem, de não produzir provas contra si – resumiu Vital do Rêgo.
O relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), esperava que Paulo Roberto Costa pudesse colaborar e considerou lamentável a opção pelo silêncio, inclusive em questões não relacionadas à delação premiada.
– De qualquer forma, vamos continuar o trabalho. Temos muita informação. Todos os dias chegam novos documentos e nós vamos continuar trabalhando. Não descarto que o Paulo Roberto Costa, depois que nós tenhamos as informações da delação premiada, retorne a esta CPI para tratar sobre os temas da delação – informou.
Palanque político
Diante do silêncio de Paulo Roberto Costa, a reunião da CPI Mista da Petrobras se transformou em um ringue verbal entre oposição e bancada governista. O deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA) disse que a presidente Dilma Rousseff foi um fracasso como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, função que ela ocupou durante o governo Lula.
– A presidente Dilma fracassou ao dirigir a Petrobras e, com isso, também demonstrou a sua incapacidade para presidir o Brasil. O que nós queremos é uma mudança na conduta e ética na política brasileira – atacou.
Em resposta, o deputado Afonso Florence (PT-BA), afirmou que o Partido dos Trabalhadores e o governo federal têm todo interesse que todos os fatos sejam investigados, perguntas feitas e documentos analisados.
– Nós não temos dúvida de que o resultado das investigações demonstrará a isenção na condução da Petrobras no período do governo Lula e no período do Governo Dilma, diferentemente do que ocorreu no governo anterior, quando o procurador-geral da República ficou notoriamente conhecido como “engavetador geral da República” – disse Florence.
O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) assegurou que o partido queria que Paulo Roberto confirmasse ou desmentisse o suposto envolvimento de parlamentares em corrupção na Petrobras. Segundo reportagem da revista Isto É desta semana, o deputado do PMDB estaria nessa relação.
– O PMDB não tem medo de ninguém, nem de A nem de B nem de C. Eu não acredito naquela revista [Isto É]. Ela não tem credibilidade, eu não tenho nada a temer, não devo nada. Não acredito que meu nome foi citado por Paulo Roberto Costa na delação premiada – disparou Cunha.
Contadora
O próximo depoimento à CPI Mista da Petrobras deve ser o da ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza. A convocação dela foi aprovada nesta quarta-feira, assim como a solicitação da cópia de todos os depoimentos prestados por ela ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Em agosto, ela esteve no Conselho de Ética da Câmara, onde disse que o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) recebeu dinheiro do doleiro e que os dois mantinham “negócios ilícitos”. Em 3 de junho, a CPI Mista aprovou mais de 200 requerimentos, entre eles o da convocação do doleiro Youssef. O depoimento dele, no entanto, não foi marcado ainda.
Com informações da Agência Senado.
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