Operação Lava Jato | Confira vídeo com depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça Federal do Paraná

Paulo Roberto Costa é delator do esquema de corrupção.
Paulo Roberto Costa é delator do esquema de corrupção.

Parlamentares da oposição cobram que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras tenha uma reunião de emergência para falar sobre o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa dado na quarta-feira (08/10/2014) à Justiça Federal do Paraná.

Em áudio do depoimento, liberado nesta quinta-feira pela Justiça do Paraná e divulgado pela imprensa, Costa diz que parte da propina cobrada de fornecedores da estatal era direcionada para atender a PT, PMDB e PP.

“Agora vindo a público esses áudios do senhor Paulo Roberto Costa indicando todos os caminhos, valores e pessoas, a CPMI deve se reunir imediatamente, tomar posições imediatas para responder à altura à sociedade brasileira”, disse o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), membro da comissão.

Propina

No áudio divulgado pela imprensa, Costa afirma que cada contrato fechado com as diretorias comandadas pelos três partidos deveria ter 3% destinado à propina. O depoimento foi dado ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da operação Lava Jato na primeira instância.

De acordo com as denúncias do ex-diretor, o PT recolheria para o seu caixa 100% da propina obtida nas diretorias que a sigla administrava, como as de Gás e Energia; Corporativa e de Serviços; e Exploração e Produção.

“Olha, em relação à Diretoria de Serviços [comandada por Renato Duque], todos sabiam que 3% [cobrados de propina] eram para atender ao PT. Através da Diretoria de Serviços. Outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção, também eram PT”, declarou Costa à Justiça Federal.

Já em diretorias comandadas pelo PP, 2/3 da propina ficaria com o PT e o restante com o partido aliado. A maior parte dos recursos, segundo Costa, ia para os partidos. Havia ainda uma parcela (em média, 0,2% do valor do contrato) que ia para despesas de envio e notas fiscais do total. O restante ficava com Costa ou outro diretor responsável e um pouco ainda para o doleiro Alberto Youssef.

O PMDB também receberia parte da propina em contratos das diretorias que comandava, como a Internacional. O percentual, porém, não foi detalhado por Costa.

O presidente da CPMI da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), não foram encontrados para comentar o caso. Parlamentares da base governista que integram a CPMI também foram procurados, mas não quiseram comentar ou não retornaram o contato.

Confira vídeo com depoimento

Histórico

Paulo Roberto Costa chefiou a Diretoria de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. Ele foi preso em março pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, acusado de fazer parte de um esquema que teria desviado cerca de R$ 10 bilhões da estatal. Após fazer acordo de delação premiada com a Justiça, Costa foi autorizado a ficar em prisão domiciliar.

*Com informações da Agência Câmara.


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