Com panelaços, população faz críticas ao governo durante pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff

Dilma Rousseff atravessa um dos momentos mais débeis na gestão da Presidência da República.
Dilma Rousseff atravessa um dos momentos mais débeis na gestão da Presidência da República.

Assim que teve início o pronunciamento feito ontem (08/03/2015) pela presidenta Dilma Rousseff em cadeia nacional de rádio e televisão, começou também, em algumas capitais do país, um protesto na forma de panelaço e buzinaço. Pelas mídias sociais, foram registrados protestos desse tipo em regiões de Brasília, do Rio de Janeiro, de São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia e Curitiba. De acordo com o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) João Paulo Machado Peixoto, panelaços como os de ontem acabam por expor “em praça pública” críticas ao governo.

“Significa um repúdio à atual situação em que vive o país, não só do ponto de vista econômico, mas principalmente político”, disse ele. Na avaliação do especialista, o panelaço é dirigido tanto à presidenta quanto ao governo em geral. Segundo ele, diante das denúncias de corrupção noticiadas pela imprensa, era previsível que a população se manifestasse em algum momento. Ele destacou a previsão de uma semana muito tensa do ponto de vista político, com manifestações programadas para os dias 13 e 15 de março – a primeira, a favor do governo e a segunda, contrária.

Essa polarização, lembra o especialista, não é novidade no Brasil. “As últimas eleições mostraram isso. Estamos polarizados, a exemplo do que ocorria, no passado, nos embates entre udenistas e petebistas. Mas essa dialética é própria da democracia”, destacou.

“As próprias passeatas [previstas para os próximos dias] deixam claras essas semelhanças, podendo ser comparadas às ocorridas em 13 e 19 de março de 1964”, disse ele referindo-se ao comício da Central do Brasil organizado por sindicatos e líderes camponeses que apoiavam o então presidente João Goulart (Jango) e à Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada logo depois em resposta à suposta “ameaça comunista” representada por Jango.

Para a historiadora da UnB Albene Míriam Ferreira Menezes, especializada em relações internacionais, as manifestações de ontem foram, de certa forma, isoladas e restritas a bairros onde a presidenta Dilma perdeu as eleições. “Tudo indica que não se trata do eleitorado que a colocou no cargo. O que chama a atenção é que foram em algumas capitais, mais especificamente em bairros de classes média alta e alta, onde ela perdeu as eleições. Além disso, o panelaço foi orquestrado por redes sociais. Portanto não foi um movimento espontâneo.”

Segundo a professora, o perfil das pessoas que fizeram o panelaço é bastante próximo ao das pessoas que têm defendido o impeachment ou participado das manifestações do “Fora Dilma”. “No caso brasileiro, o que se vê é um contexto de crise que, em parte, foi forjada, uma vez que não há justificativas para a oposição entrar com pedido contrário à diplomação de Dilma nem para pedidos, de impeachment. Tudo isso tem por base argumentos frágeis que não se justificam. É udenismo puro ameaçando a democracia brasileira, por gerar questionamentos à ordem democrática de direito.”

Mercadante diz que protestos durante pronunciamento são próprios da democracia

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse hoje (9) que são próprias da democracia e um direito do cidadão as manifestações contrárias ao governo, durante o pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff em cadeia nacional de rádio e televisão. Segundo o ministro, é preciso reconhecer o resultado das urnas e construir uma cultura de diálogo.

Na noite de ontem (08/03/2015), enquanto Dilma falava, para todo o país, sobre o Dia da Mulher foram registrados panelaços e buzinaços em algumas cidades brasileiras em protesto contra o governo. No pronunciamento, Dilma defendeu as medidas econômicas adotadas com o objetivo de viabilizar o crescimento do país.

Mercadante destacou que as manifestações ocorreram, sobretudo, em cidades e bairros onde o PT teve derrota significativa nas urnas.

“As manifestações são próprias da democracia. Toda manifestação pacífica é um direito do cidadão, mas não podemos transformar as eleições num terceiro turno e precisamos construir uma cultura de diálogo, de debate, e não de intolerância, de intransigência”, destacou.

Ele ressaltou que, no Brasil, a eleição no país é feita em apenas dois turnos. “A eleição acaba quando alguém vence e nós vencemos as eleições, assim com perdemos no passado várias eleições e tivemos que reconhecer.”

Para Mercadante, o diálogo e a tolerância são importantes para criar uma agenda de convergência que ajude para o país superar as dificuldades conjunturais e, assim, assegurar a estabilidade economia e a recuperação do crescimento econômico.

*Com informações Agência Brasil.

 


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