
Em visita ao Brasil, o presidente da Agência Espacial da Ucrânia, Oleh Uruskyi, foi recebido ontem pela presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados (CREDN), deputada Jô Moraes (PcdoB/MG), e pelo presidente do Grupo parlamentar de amizade Brasil-Ucrânia, deputado Claudio Cajado.
Uruskyi e delegação ucraniana estão no Brasil para buscar explicações do governo federal sobre a paralisação do projeto espacial na base de Alcântara, no Maranhão, desde 2013.
Batizado de Cyclone-4, o empreendimento milionário é resultado de um acordo bilateral para o lançamento de foguetes ucranianos com satélites comerciais na base localizada no Brasil.
Apesar do acordo não ter sido cancelado oficialmente, o governo brasileiro interrompeu sua parte das obras há dois anos e até agora não divulgou informações oficiais sobre o assunto. No entanto, notícia veiculada na imprensa aponta o interesse brasileiro em cancelar o projeto, o que preocupa as autoridades ucranianas.
O Brasil seria responsável pela construção da base civil em Alcântara e a Ucrânia faria o desenvolvimento do foguete e de outros equipamentos necessários. Os dois governos juntos já gastaram quase um bilhão de reais em recursos públicos. Diante da crise econômica brasileira, os ucranianos se dizem dispostos a rever as cláusulas do contrato e trabalhar de forma conjunta para evitar um prejuízo maior.
Para o deputado Claudio Cajado, se o governo brasileiro usar a justificativa orçamentária para interromper o acordo com a Ucrânia estará cometendo crime de responsabilidade. De acordo com o parlamentar, “O Brasil não poderia iniciar uma obra dessa dimensão sem recursos para cobrir os gastos”.
Cajado acompanha o projeto de Alcântara desde o início e aponta para a necessidade que o Brasil tem de reforçar sua infraestrutura espacial. “Essa inovação colocaria o nosso país em um contexto tecnológico que poucos lugares detêm e resultaria em grandes benefícios para o povo brasileiro”, ressalta.
O presidente do grupo Brasil-Ucrânia apresentou dois requerimentos, um ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e outro, ao Ministro da Defesa, solicitando declarações oficiais sobre a atual situação do projeto. “O governo brasileiro tem que prestar explicações urgentes, pois a cada mês que passa as obras estão se deteriorando e o dinheiro público está sendo jogado fora.”, justifica Cajado.
O acordo bilateral entre Brasil e Ucrânia foi assinado em 2003 e a base de Alcântara, como aponta Claudio Cajado, possui uma das melhores localizações do mundo para o lançamento de foguetes, pela sua proximidade com a linha do Equador.








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