A Prefeitura de Feira de Santana anunciou nesta sexta-feira, 25/09/2015, a realização da primeira edição da Feira da Praça, evento programado para os dias 26 e 27 de setembro de 2015, das 9h às 19h, na Praça Padre Ovídio, também conhecida como Praça da Matriz, no centro da cidade. A iniciativa reúne gastronomia, cultura, arte, música e empreendedorismo, com o objetivo de estimular a ocupação familiar dos espaços públicos e contribuir para a revitalização das praças urbanas.
A primeira edição da Feira da Praça surge em um contexto de debate sobre o esvaziamento das praças públicas em Feira de Santana. A proposta parte da constatação de que a falta de segurança, estrutura e atrativos reduziu a presença de famílias e grupos de amigos nesses locais, enfraquecendo uma tradição urbana vinculada ao lazer, ao encontro comunitário e à convivência social.
Com formato de feira de rua, o evento foi concebido para transformar a Praça Padre Ovídio em um espaço de circulação cultural, comercial e gastronômica. A escolha do local reforça a dimensão simbólica da iniciativa, já que a praça integra uma das áreas mais tradicionais do centro feirense, próxima à Catedral Metropolitana de Sant’Ana.
A proposta também acompanha uma tendência observada em outras grandes cidades, como Salvador, onde eventos de ocupação cultural e gastronômica de praças passaram a atrair moradores, visitantes e empreendedores. Em Feira de Santana, a iniciativa busca adaptar esse modelo à realidade local, com foco na valorização do espaço público e no fortalecimento da economia criativa.
Programação reúne música, gastronomia e artesanato
A programação musical da edição inaugural inclui apresentações de Enio, Vinni e os Vinís, DJ Maths Carmo, Orquestra Neogibar, Forró Estrela Pé de Serra e Chorinho dos Amigos, entre outras atrações. A diversidade da grade busca contemplar diferentes públicos e ampliar o caráter familiar do evento.
Além da música, a Feira da Praça oferece opções gastronômicas a preços acessíveis. A proposta é reunir alimentos de qualidade em ambiente aberto, favorecendo a permanência do público na praça durante o período de funcionamento.
O evento também contará com barracas de artesanato, roupas, livros e outros produtos criativos. A organização pretende transformar a feira em vitrine a céu aberto para micro e pequenos empreendedores, especialmente aqueles que atuam com vendas pela internet e buscam maior contato com o público consumidor.
Evento deve circular por outras praças da cidade
Após a estreia na Praça Padre Ovídio, a Feira da Praça deverá ocorrer de forma itinerante, passando por diferentes praças de Feira de Santana. A previsão é que as edições aconteçam sempre no último fim de semana de cada mês, ampliando o alcance territorial da iniciativa.
A circulação por outros bairros pode favorecer a descentralização das atividades culturais e estimular a reaproximação da população com espaços públicos que, em muitos casos, perderam centralidade no cotidiano urbano. A presença regular de atividades culturais, gastronômicas e comerciais tende a aumentar o fluxo de pessoas e contribuir para a sensação de uso coletivo desses ambientes.
Ao associar lazer, cultura e economia local, o projeto pretende recuperar a prática familiar de frequentar praças para entretenimento. Essa dimensão é relevante porque a vitalidade dos espaços públicos depende não apenas de obras de infraestrutura, mas também de programação contínua, segurança, limpeza, acessibilidade e estímulo à permanência da população.
Empreendedorismo local ganha vitrine a céu aberto
A Feira da Praça também possui impacto econômico direto ao abrir espaço para pequenos negócios. Para empreendedores que comercializam produtos artesanais, alimentos, roupas, livros e itens criativos, a feira representa oportunidade de exposição, venda e aproximação com novos consumidores.
Esse aspecto é particularmente importante para trabalhadores que dependem de redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais para divulgar seus produtos. A presença física em um evento público amplia a confiança do consumidor, permite experimentação e cria novas possibilidades de fidelização.
A iniciativa, portanto, não se restringe ao entretenimento. Ao reunir cultura, gastronomia e comércio de pequeno porte, o evento articula lazer urbano e incentivo à economia local, dois elementos fundamentais para fortalecer a dinâmica social do centro e dos bairros que poderão receber futuras edições.
Ocupação pública exige continuidade e estrutura
A estreia da Feira da Praça na Praça Padre Ovídio tem relevância social e urbana porque recoloca o espaço público no centro da agenda municipal. A iniciativa parte de um diagnóstico correto: praças esvaziadas representam perda para a cidade, pois reduzem convivência, lazer, circulação cultural e sensação de pertencimento.
A realização da Feira da Praça indica uma tentativa de enfrentar um problema recorrente nas cidades brasileiras: a perda de função social dos espaços públicos. Praças sem programação, iluminação adequada, segurança e conservação tendem a ser abandonadas pela população, o que aprofunda a sensação de insegurança e reduz a convivência comunitária.
Nesse sentido, o projeto pode contribuir para reverter parte desse processo, desde que não fique restrito a ações pontuais. A ocupação regular das praças exige planejamento, calendário previsível, apoio logístico, fiscalização, limpeza urbana e articulação com comerciantes, artistas, moradores e órgãos públicos.
A experiência também deverá ser avaliada pela capacidade de atrair público sem descaracterizar os espaços urbanos. O desafio está em conciliar lazer, circulação econômica, preservação do patrimônio público e respeito à rotina das comunidades do entorno.







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