O extremismo e suas consequências | Por Janguiê Diniz

Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.
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Mais uma vez, o ataque de um grupo extremista chocou o mundo. Desta vez, centenas de vítimas inocentes foram mortas e feridas em Paris, na França. No dia seguinte ao ocorrido, o grupo denominado Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado. Entretanto, ouso dizer que o Estado Islâmico não é um Estado e muito menos é Islâmico.

Aos que não conhecem, o Islamismo é uma religião monoteísta, ou seja, que acredita na existência de um único Deus. Seus princípios são fundamentados nos ensinamentos de Mohammed, ou Muhammad, chamado pelos ocidentais de Maomé. O islamismo é uma religião como o catolicismo, o judaísmo, o espiritismo e outras tantas; e seja nas religiões, na política, no futebol e em outras áreas há grupos extremistas, então, não podemos cometer o erro de generalizar e dizer que todo islamista é extremista.

Diariamente, e infelizmente, o Estado Islâmico aparece nos principais jornais do mundo. Não só pelos assassinatos brutais de civis, por vezes filmados e publicados na internet, mas também pelo recrutamento de pessoas e pelo treinamento militar de crianças, que se tornam guerrilheiras do grupo. Seriam, então, psicopatas? Talvez.

O autoproclamado Estado Islâmico não é um simples grupo de psicopatas. Eles acreditam ser o agente do apocalipse que, supostamente, se aproxima. Infelizmente, não se sabe ao certo quem eles são. Bin Laden, um outro extremista, por exemplo, encarava o seu terrorismo como conjunto de princípios seguidos por chefes políticos e religiosos após a morte de Maomé. A sua organização era flexível e operava como uma rede geograficamente dispersa. Mas, ao contrário de Bin Laden, o Estado Islâmico precisa de território para se legitimar e de uma estrutura hierarquizada que o governe.

Extremistas são perigosos e esta conclusão não é de hoje. Há casos de extremistas e as marcas de suas consequências em toda a história da humanidade. Temos como exemplo de atitudes extremistas a caça às bruxas, a guerra fria, o nazismo, etc. Na história mais recente, não esqueceremos o 11 de setembro ou o ataque ao jornal francês Charlie Hebdo.

A verdade é que o extremismo limita a liberdade, impede o diálogo e o discernimento, resultando em violência física e até simbólica. E há muito dinheiro envolvido nisso, afinal, não há como manter associações assim sem financiamento. Além de doadores, grupos extremistas se mantém da venda de petróleo, extorsões, roubos, vendas de drogas e sequestros. Apenas com este último, a ONU destaca a rentabilidade e estima que grupos terroristas tenham arrecadado US$ 120 milhões em pagamentos de resgate entre 2004 e 2012.

O extremismo tem a capacidade de colocar tudo a perder, oferecendo risco ao equilíbrio entre a liberdade e os direitos fundamentais. É algo trágico que destrói tudo aquilo que pretende afirmar ao agir de forma radical, resultando na perda de credibilidade e causando medo e repúdio dos demais.

Dessa maneira, é necessário se desvincular o Islamismo do extremismo e analisar o terrorismo de forma crítica, de modo a traçar as reais motivações e objetivos dos grupos terroristas. O extremismo, em todas as suas formas, é um mal que precisa ser banido de nossa sociedade, mas não por métodos igualmente deploráveis – terroristas ou desumanos. Apesar de diferentes, somos todos iguais, independente de religião, partido político, raça, gênero, ou qualquer outra coisa.

*Por Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito.


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