Sobre o culto à personalidade e as consequências | Por Nikita Khrushchov

O ‘Discurso Secreto’ ou ‘Relatório Khrushchov’, cujo título oficial é ‘Sobre o culto à personalidade e as consequências’, é uma famosa intervenção do político soviético Nikita Khrushchov durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, ocorrido em 25 de fevereiro de 1956.

No discurso, Khrushchov reafirma sua crença nos ideais comunistas, invocando as ideias de Lenin, ao mesmo tempo que critica o regime de Stalin, particularmente pelos brutais expurgos de militares de alto escalão e de quadros superiores do Partido – o chamado Grande Expurgo, entre 1934 e 1939 -, e pelo culto à personalidade de Stalin.

O discurso foi um marco na Era Khrushchov. Foi um sinal da intensa disputa pela liderança soviética, na qual Khrushchov procurava desacreditar os stalinistas, notadamente Lavrentiy Beria. Significou, também, uma mudança da linha oficial do Partido Comunista da União Soviética e dos seus postulados baseados no chamado stalinismo. O discurso adquiriu o nome da sessão na qual foi pronunciado, a portas fechadas, sem a presença de convidados estrangeiros. O texto original só foi publicado em sua totalidade no dia 3 de Março de 1989, pela gazeta oficial do Comité Central do Partido, já no período da glasnost – abertura do regime promovida por Mikhail Gorbatchov.

História

Ao contrário do que se acredita, o discurso secreto não significou a primeira dissidência dos novos governantes da União Soviética em relação a Stalin. Antes do discurso, já se haviam dado os primeiros passos em direção ao fim da estrutura repressiva que reinava no país.

De fato, o discurso baseia-se em parte nas conclusões obtidas pela chamada Comissão Chvernik, um grupo especial do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, criado a 31 de Janeiro de 1955 com o fim de investigar a repressão contra os delegados do XVII Congresso do Partido de 1934.

Ao final dos trabalhos, a comissão reuniu evidências suficientes para denunciar que, entre os anos de 1938 e 1939, durante os momentos mais agitados do Grande Expurgo, mais de um milhão e meio de membros do Partido Comunista da União Soviética haviam sido acusados de realizar “atividades antissoviéticas”, e, dentre estes, pelo menos 680 mil haviam sido executados. Estudos contemporâneos ampliam essa cifra para mais que o dobro. O número foi estabelecido considerando as listas que haviam sido assinadas pelo próprio Stalin.

A partir de 1956, os novos dirigentes do estado comunista enfrentaram o lento processo de reabilitação dos chamados “velhos bolcheviques” e liberação dos internos dos campos de trabalho forçados.

As vítimas dos chamados “processos de Moscovo” só foram reabilitadas em plenitude por volta de 1988.

Estrutura do discurso

Denúncia do culto a Stalin:

Menções aos textos clássicos do marxismo-leninismo nos quais é atacado ao culto da personalidade;

Referências a manifestações de culto à personalidade de Stalin, através da arte (música, pintura), nomes de cidades etc.

Menções ao testamento de Lenin e de escritos de Nadejda Krupskaia, nos quais se critica o caráter de Stalin.

Antes de Stalin, a disputa ideológica com o trotskismo era puramente intelectual, e foi Stalin quem introduziu o conceito de “inimigo do povo”.

Violação por parte de Stalin das normas acerca da liderança coletiva.

Repressão contra os “velhos bolcheviques” e os delegados ao XVII Congresso: dos 1 966 delegados, 1 108 foram acusados de ser contrarrevolucionários e 848 deles foram executados; dos 139 membros e candidatos ao Comité Central, 98 foram declarados “inimigos do povo”.

Depois da brutal repressão, Stalin deixou de considerar as opiniões coletivas.

Exemplos da repressão stalinista:

Criação de provas falsas para acusar seus inimigos.

Exagero de seu papel durante a Grande Guerra Patriótica.

Deportação das nacionalidades.

Complô dos médicos.

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Discurso aos 20ª Congresso do PCUS – Sobre o culto à personalidade e as consequências | Por Nikita Khrushchov


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