
Chefe da agência da ONU Margaret Chan afirmou que resposta internacional coordenada é necessária; comitê de emergência concordou que a “relação casual entre a infecção pelo vírus durante a gravidez e a microcefalia é fortemente suspeita, embora ainda não comprovada cientificamente”.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, declarou nesta segunda-feira (01/02/2016) a situação com o zika vírus e a microcefalia como uma “emergência de saúde pública de preocupação internacional”.
Um comitê de emergência da agência da ONU se reuniu para discutir a relação a questão.
América Latina
Durante uma coletiva de imprensa, em Genebra, a chefe da OMS afirmou que 18 especialistas e conselheiros olharam, particularmente, para a “forte associação” entre “infecção com o zika vírus e o aumento de casos detectados de malformações congênitas e complicações neurológicas”.
Margaret Chan, declarou “que os recentes casos de microcefalia e outras anormalidades neurológicas relatados na América Latina, após casos semelhantes na Polinésia Francesa em 2014, constituem uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”.
Forte Suspeita
Segundo a diretora-geral da agência da ONU, os especialistas concordaram que a “relação causal entre a infecção pelo zika durante a gravidez e a microcefalia é fortemente suspeita, embora ainda não comprovada cientificamente”.
Todos concordaram na “urgência de coordenar ações internacionais para investigar e compreender melhor esta relação”.
Vacina
A falta de vacinas, de testes rápidos e confiáveis para o diagnóstico e de imunidade da população em áreas recém-afetadas também foram citados como causas de preocupação.
Resposta Internacional
Chan declarou que uma “resposta internacional coordenada é necessária para minimizar a ameaça dos países afetados e reduzir o risco de maior propagação internacional”.
No entanto, a chefe da agência afirmou que o comitê “não encontrou uma justificativa de saúde pública para restrições a viagens e comércio para evitar a propagação do zika vírus”.
Grávidas
Segundo a chefe da OMS, “as medidas de proteção mais importantes no momento são o controle das populações de mosquito e a prevenção das picadas em indivíduos em risco, especialmente mulheres grávidas”.
OMS pede resposta internacional coordenada para combater Zika
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, cobrou uma resposta internacional coordenada por parte dos países-membros para combater casos de infecção pelo vírus Zika no mundo.
A entidade decidiu há pouco declarar situação de emergência em saúde pública de interesse internacional em razão do aumento de casos identificados em diversos países e de uma possível relação da doença com quadros registrados de malformação congênita em bebês e síndromes neurológicas.
Durante coletiva de imprensa, Margaret Chan avaliou ainda que a ausência de uma vacina contra o Zika e de testes de diagnóstico confiáveis somados à falta de imunidade na população dos países afetados pelo vírus constituem fatores de preocupação.
Notificação de casos de Zika passa a ser obrigatória no Brasil
O registro de casos de infecção pelo vírus Zika terá notificação obrigatória no Brasil. O anúncio foi feito hoje (1º) pelo Mnistério da Saúde, que deve anunciar os detalhes da medida na próxima semana.
Atualmente, a pasta não contabiliza o número de pacientes que tiveram a doença, e as secretarias não são obrigadas a registrar todos os casos, já que a capacidade de diagnóstico laboratorial do Brasil ainda é baixa e também porque em 80% das ocorrências não aparecem sintomas.
Há duas semanas, o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que a pasta está aumentando a capacidade de diagnóstico laboratorial e que, com isso, a notificação dos casos seria reavaliada. Na ocasião, Maierovitch disse que a pasta aumetaria de mil para 20 mil a capacidade mensal de diagnósticos de Zika no país.
Atualmente, o método de diagnóstico do Zika é o sentinela, pelo qual alguns casos de uma região são comprovados laboratorialmente e os seguintes, pelos sintomas. Em novembro, o governo brasileiro confirmou que a infecção pelo vírus Zika em gestantes pode causar microcefalia no feto, porém, nem toda gestante que for afetada pela doença terá o bebê com a malformação.
A microcefalia tem outros fatores causadores, como infecções pelo citomegalovírus, por toxoplasmose e por rubéola.
*Com informações de Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.
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