Depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal repercute no Senado

A nova fase da operação Lava-Jato e a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor repercutiram na manhã desta sexta-feira (04/03/2016) no Plenário do Senado. Enquanto Lula prestava depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, senadores se revezaram na tribuna para avaliar a consequências da ação da Polícia Federal.

Primeiro a se pronunciar, o líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima (PB) disse que o país acordou assustado com as notícias de que a Polícia Federal iniciou a 24ª fase da Operação Lava-Jato na casa do ex-presidente da República. A ação, disse Cássio Cunha Lima, demonstra que a população pode confiar nas instituições e que ninguém está imune a investigações.

— É preciso refletir por que chegamos até aqui, mas é preciso, antes de qualquer outra coisa, dizer, desde já, que o nosso país, com as suas instituições democráticas, demonstra de forma muito clara que todos devem ser respeitados como cidadãos brasileiros, desde o mais humilde trabalhador rural à mais alta e graduada autoridade da República, mas que ninguém está imune à investigação.

Cássio ressaltou que o papel da oposição não é de “tirar uma casquinha” da situação, mas encontrar um caminho para a crise, que em sua opinião passa pela convocação de novas eleições.

Já o senador José Medeiros (PPS-MT) rebateu a alegação do PT de que o ex-presidente Lula seria, no momento, um “preso político”. Segundo o parlamentar, trata-se de uma tentativa de vitimização que não procede. Mais do que isso, de um ato de irresponsabilidade.

— O grande artífice disso tudo foi ele. Digo isso para quebrar o atual discurso do PT de tentar plantar na mídia a ideia de que a prisão é política e de que neste momento Lula é um preso político. Isso é de uma irresponsabilidade muito grande porque não é verdade. Lula foi a maior liderança política dos últimos tempos do Brasil. Mas o responsável por sua ascensão e queda é ele mesmo. Não é a oposição, não é a Polícia, não é o Ministério Público — afirmou.

O senador José Agripino (DEM-RN), por sua vez, apelou à união das forças políticas importantes e comprometidas num amplo esforço, conforme disse, para salvar o país diante da crise do momento.

Líder do bloco de oposição, Agripino avalia que a solução passa pela cassação, pelo Tribunal Superior Eleitoral, da chapa que elegeu Dilma Rousseff ou, via Congresso Nacional, pela aprovação do impeachment da presidente.

—  Antes que seja tarde, é preciso que nos unamos para salvar o Brasil — conclamou.

Outro parlamentar a subir à tribuna nesta sexta-feira foi o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Ele afirmou ver o conteúdo da suposta delação feita pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) no âmbito da operação Lava-Jato, como denúncias que envolvem diretamente a presidente da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva nos esquemas de irregularidades cometidas na Petrobras.

Para Ferraço, o senador petista revelou em detalhes informações que justificam agora providências da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF), no direcionamento da abertura de um inquérito de investigação contra a presidente.

Já o senador Telmário Mota (PDT-RR) criticou a postura da oposição em relação às denúncias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff trazidas pela suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) na Operação Lava-Jato. Na avaliação do senador, a reação oposicionista constitui “uma disputa de poder e não uma preocupação com os rumos da nação brasileira”.

—  A matéria da IstoÉ [baseada na suposta delação premiada de Delcídio] não traz só [denúncias contra] o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Elenca uma série de autoridades, do Judiciário ao Senado. Mas eu não vi a oposição pedir aqui punição contra os demais — desabafou Telmário.

O senador por Roraima também é relator do processo contra Delcídio no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ainda sobre as irregularidades envolvendo a Petrobras, ponderou que só em um regime democrático é possível investigar desvios, falcatruas e corrupção com independência.

*Com informação da Agência Senado.


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