Citado como articulador de um Golpe de Estado, Michel Temer diz ter ciência de que não há golpe em curso no Brasil

Michel Temer e Eduardo Cunha, políticos com nomes associados as investigações do Caso Lava Jato e a tentativa de tomada de poder do governo Rousseff.
Michel Temer e Eduardo Cunha, políticos com nomes associados as investigações do Caso Lava Jato e a tentativa de tomada de poder do governo Rousseff.

A assessoria de imprensa do vice-presidente da República, Michel Temer, divulgou nota oficial hoje (02/04/2016) em resposta às afirmações de hoje do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um ato em defesa do governo da presidente Dilma e contra o impeachment realizado em Fortaleza nesta manhã, Lula disse que “como constitucionalista”, Temer sabe que “impeachment é um golpe”. “Justamente por ser professor de direito constitucional, Michel Temer tem ciência de que não há golpe em curso no Brasil”, diz a nota. Procurada pela manhã, a assessoria tinha informado que não iria comentar as declarações.

Nesta semana, o PMDB, presidido por Temer, anunciou o desembarque do governo e a entrega dos cargos ocupados por integrantes do partido. A decisão, contudo, não teve apoio integral da legenda. Apenas um dos sete ministros deixou a pasta que ocupava (Henrique Alves, do Turismo) e um dos caciques peemedebistas, Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, disse publicamente que a medida foi precipitada. A decisão levou o governo a negociar cargos com os partidos menores e evitou assim a debandada imediata da base aliada, enfraquecendo o movimento pelo impeachment.

Após o anúncio do PMDB, ganharam força também manifestações contra o vice-presidente. Na sexta-feira, o ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), protocolou na Câmara um pedido de investigação e impeachment baseado em citações contra Temer nas investigações da Operação Lava Jato. Temer reagiu dizendo que se tratava de “notícias velhas” e “equivocadas”. Ontem ainda, mais tarde, o STF divulgou por engano uma minuta determinando que o presidente da Câmara Eduardo Cunha aceite um pedido de impeachment, este solicitado anteriormente por um advogado mineiro, contra o vice-presidente e instale comissão para analisar o caso. O Supremo disse que houve um “erro de comunicação”.

*Com informações do Estadão.


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