TCU diz que cartel de 16 empresas fraudou licitações da refinaria Abreu e Lima

Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.

Um grupo de 16 empresas e três ex-dirigentes da Petrobras terão que prestar esclarecimentos ao Tribunal de Contas da União (TCU), em 15 dias, sobre indícios de irregularidades em licitações para a instalação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A atuação dos arranjos de preço feitos pelas empresas reduziu em aproximadamente 17% o valor do desconto que seria ofertado no caso de um cenário competitivo, o que resultou em um prejuízo de R$ 1,9 bilhão nos contratos analisados pelo TCU.

As empresas que participaram do cartel, de acordo com o Tribunal, foram as construtoras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa,  Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Mendes Junior; Engevix Engenharia;  Iesa Óleo e Gás; MPE Montagens e Projetos Especiais; Toyo Setal Empreendimentos;  Skanska Brasil; Techint Engenharia e Construção; UTC Engenharia; GDK; Promon Engenharia e Galvão Engenharia. Se for confirmada a ocorrência de fraude à licitação, as empresas poderão ser declaradas inidôneas e não poderão participar de licitações do governo por até cinco anos.

Segundo o TCU, para cada contratação, o “Clube” definia a empresa que seria a vencedora na licitação; assim, a empresa ou consórcio escolhido apresentava proposta de preço à Petrobras e as outras davam cobertura, apresentando propostas de preços maiores. Como as contratações foram feitas por meio de licitações na modalidade convite, o grupo de empresas podia acertar com dirigentes da Petrobras que somente seriam convidadas empresas participantes do esquema fraudulento. Como contrapartida, por viabilizar a atuação do cartel, dirigentes da Petrobras recebiam valores a título de propina.

Também terão que prestar esclarecimentos ao TCU os ex-dirigentes da Petrobras Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, Renato Duque, ex-diretor de Engenharia e Serviços, e Pedro Barusco, ex-gerente executivo de Engenharia. Segundo o TCU, os gestores agiram para  viabilizar a atuação do cartel, mediante o recebimento de propina. Caso sejam confirmadas as irregularidades, eles poderão receber multas e ser inabilitados para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança na administração pública por um período de cinco a oito anos,

Segundo o voto do relator da matéria, ministro Benjamin Zymler, os responsáveis pelo esquema fraudulento também provocaram a antecipação de cronograma da entrada em operação da refinaria, o que ocasionou a antecipação de diversas fases de planejamento, alterações na elaboração dos projetos e na estratégia de contratação, que ocorreram sem que os projetos básicos estivessem suficientemente maduros. Isso pode ter impactado em todo o andamento das obras, inclusive com a necessidade de um grande número de aditamentos contratuais.

Na sessão de hoje, o ministro Augusto Sherman disse que o esquema envergonha o país. “Um esquema como esse, que funcionou por dez, 12 anos na maior empresa do nosso país, envergonha e constrange o estado brasileiro porque demonstra que não havia o controle necessário para impedir os atos aqui mencionados”, disse. “Essa representação mostra que Tribunal está atento para todas as fraudes que ocorreram na Petrobras”, ressaltou o ministro Walton Alencar.

*Com informação da Agência Brasil.

Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.
Vista aérea das obras da Refinaria Abreu e Lima (RENEST), em Pernambuco.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading