Feira de Santana, domingo, 28/08/2016 — A Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva, um dos mais antigos e relevantes equipamentos culturais do interior da Bahia, iniciou em 2016 um processo estruturado de digitalização e informatização de seu acervo, marcando uma inflexão histórica na preservação da memória documental do município após 126 anos de fundação.
Preservação da memória e modernização do acesso
Administrada pela Fundação Municipal de Tecnologia da Informação, a biblioteca abriga cerca de 20 mil livros, que passaram a ser catalogados, etiquetados e inseridos em sistema informatizado, com previsão de disponibilização ao público. O objetivo central é modernizar o acesso, ampliar a eficiência dos serviços internos e garantir maior controle e preservação do acervo físico.
Segundo Telma Freitas de Melo, chefe da Divisão de Bibliotecas, a informatização representa um avanço operacional relevante.
“A informatização irá agilizar o trabalho dos funcionários e dos leitores e também garantir o controle do acervo”, afirmou. A medida reduz perdas, melhora a organização e cria condições técnicas para políticas futuras de acesso remoto.
Digitalização de periódicos e proteção do patrimônio histórico
Paralelamente ao processo de informatização, a biblioteca iniciou a digitalização do acervo de periódicos, considerado um dos conjuntos documentais mais sensíveis e valiosos da instituição. O setor reúne exemplares de jornais históricos como Folha do Norte, Folha do Estado e o Diário Oficial, com edições que remontam a 1924.
Esses documentos são amplamente utilizados por historiadores, pesquisadores, estudantes e jornalistas, mas enfrentam riscos crescentes de deterioração física.
“Com o tempo, a desidratação das folhas faz com que esse material comece a se deteriorar. A digitalização garante não apenas o acesso, mas também a preservação da história de Feira de Santana”, destacou Telma Freitas.
Biblioteca como polo cultural e educativo
A Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva mantém funcionamento regular de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 17h, com atendimento ininterrupto. O espaço registra cerca de 200 visitas diárias, consolidando-se como polo de pesquisa, estudo e circulação de conhecimento no município.
Além do papel educacional, a biblioteca cumpre função estratégica na conservação da memória urbana, ao reunir documentos que registram a formação política, social e econômica de Feira de Santana ao longo do século XX.
Memória pública, tecnologia e responsabilidade institucional
A iniciativa de digitalização representa um passo tardio, porém necessário, diante do valor histórico do acervo e do avanço das tecnologias de preservação documental. Bibliotecas públicas, especialmente em cidades médias, historicamente sofreram com subfinanciamento, carência técnica e ausência de políticas continuadas de memória.
O projeto evidencia a importância da integração entre cultura e tecnologia, mas também levanta desafios futuros: garantir manutenção dos sistemas, ampliar o acesso digital ao público externo e assegurar políticas permanentes de preservação. A digitalização, por si só, não resolve o problema da memória; ela exige gestão, investimento contínuo e compromisso institucional de longo prazo.
A instituição
- Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva
- Administração: Fundação Municipal de Tecnologia da Informação
- Aproximadamente 20 mil livros
- Periódicos históricos desde 1924
Funcionamento
- Segunda a sexta: 8h às 20h
- Sábado: 8h às 17h
- Média de 200 visitantes por dia
Linha do tempo da Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva
- c. 1890 – Fundação da Biblioteca Municipal de Feira de Santana
- Décadas de 1920–1960 – Formação do acervo de periódicos históricos
- 28/08/2016 – Início do processo de informatização e digitalização do acervo
- 2016 – Catalogação de aproximadamente 20 mil livros
-
A partir de 2016 – Digitalização de jornais históricos para preservação e acesso









