Gandhi: o capital em si não é mau | Por Paiva Netto

Mohandas Karamchand Gandhi (Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido como Mahatma Gandhi (do sânscrito "Mahatma", "A Grande Alma") foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.
Mohandas Karamchand Gandhi (Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido como Mahatma Gandhi (do sânscrito “Mahatma”, “A Grande Alma”) foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.

Ensinou Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista: “Bem-aventurados os pacientes porque eles herdarão a Terra” (Sermão da Montanha, segundo Mateus, 5:5). Em outubro de 1991, ao ler e concomitantemente analisar o Manifesto da Boa Vontade, que lancei por ocasião da Pedra Fundamental do ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, declarei que — faltava ao Brasil um poderoso mercado interno e um complexo industrial, tecnologicamente atualizado, que de forma plena satisfizesse a sua demanda nacional sem prejuízo da exportação. Lembro-me ainda das aulas de História no Colégio Pedro II, com o saudoso professor Newton Gonçalves de Barros, que tanto amou o nosso torrão natal. Muitos imaginaram, naquela época romântica, que, no governo Juscelino Kubitschek (1956 a 1961) e nos logo a seguir, o mercado interno brasileiro tomaria poderio semelhante ao dos países mais ricos, a exemplo dos Estados Unidos.

(Hoje vemos isso em pujante desenvolvimento no Brasil. E os graves problemas que estão desestabilizando o mercado internacional são resultantes dos maus gestores, entre outras coisas.)

Mahatma Gandhi (1869-1948), numa frase lapidar, retratou a realidade: “O capital em si não é mau; o uso incorreto dele é que é ruim”.

Economia: a mais espiritual das ciências

E para bem entendermos esse conceito do sábio ativista indiano, necessário é que compreendamos, para surpresa de alguns, que a Economia é essencialmente espiritual, posto que, de fato, é no “Outro Lado da Vida” que se encontra a sua verdadeira origem. Essa foi a defesa que fiz na entrevista publicada pela Folha de S.Paulo, no Segundo Caderno, em 7 de novembro de 1982, na seção Exterior, quando tratávamos de nossa presença na ONU:

(…) Economia também tem de ser vista sob o aspecto religioso da solidariedade, que garanta a todos o acesso aos bens de produção: a Economia é a mais espiritual, no sentido mais amplo, das ciências (ou arte). E aqui estou falando de religião, com todas as letras maiúsculas, e não dos casos patológicos catalogados como tal no passar da História. Ela é algo supinamente elevado, que nada tem a ver com os conflitos produzidos pelos homens. Jesus é o maior economista do planeta Terra, visto que possui todos os talentos de Deus para semear entre os seres humanos, em consonância com o merecimento pessoal. É Ele quem diz — “a cada um de acordo com as suas obras” (Evangelho, conforme Mateus, 16:27). E isso faz parte da Estratégia da Sobrevivência, que há vários anos defendo. (…)

Muito além do mercado

E observem que o Gandhi não pensava e agia apenas à maneira de um religioso, todavia como um bom político.

Com aquela afirmativa à Folha, procurei demonstrar que, acima do mercado, existe um requisito anterior a ele, que há de subsistir eternamente. Trata-se do Espírito eterno do ser humano que, evoluído e valorizado como o Capital de Deus, torna-se o fulcro de estabilidade da Economia, porque se contrapõe à ganância e à impunidade. Desse modo, não poderá, sem más consequências, ser vítima de ceticismos ou fanatismos, pois o Divino Dono do capital chamado Espírito virá, por processos que a maioria ainda não deduz, cobrar dos seus reducionistas ou detratores os desvios. A Economia é a mais espiritual das ciências (ou arte), porquanto enfeixa o ordenamento dos bens imprescindíveis à sobrevivência dos cidadãos e à melhoria da qualidade de vida. Abordar, com apurado senso, este assunto é uma incumbência natural dos religiosos e mesmo dos descrentes em relação à existência da Divindade, mas que trazem dentro de si o respeito à nobreza do semelhante. Sem espírito solidário não haverá civilização sobrevivente (…).

Urge um grande serviço ecumênico de reeducação, pois não há regime bom enquanto o homem for mau (desculpem o cacófato). Ecumenismo, quer dizer, universalismo, como o inferimos, é Educação aberta à Paz.

Era superglobalizante e perigo

Em Apocalipse sem Medo (1999), no capítulo “Extratos de O Capital de Deus”, considerei que sempre existirá a necessidade de trabalho, como haverão de entender os corifeus desta era superglobalizante. Contudo, é indispensável que possuam preocupações sociais efetivas com as massas indigentes das nações pouco desenvolvidas e/ou em guerra. Um dia, a casa pode cair. Mesmo!

Benjamin Franklin (1706-1790) apropriadamente apontou que “só sabemos o valor da água quando o poço seca”. Touché!

Sem limitações

Não há limites para a solidária expansão do Capital de Deus: o Espírito Eterno do ser humano.

No porvir, esta divina verdade tornar-se-á uma certeza irrefragável para a consciência humana: finalmente compreender que o Espírito imortal é o moto-perpétuo de todo o progresso sem poluições e também o inderrotável advogado de defesa da paz desarmada.

*José Simões de Paiva Netto (Paiva Netto) é presidente da Legião da Boa Vontade desde 1979. Atuando nesta entidade, escreveu livros e artigos. Mesmo nunca tendo cursado uma universidade, é escritor, jornalista, radialista, compositor, poeta e líder religioso.


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