
Relatório da agência da ONU diz que desse total, 28 milhões tiveram de fugir de suas casas por causa de conflitos e violência; Brasil está entre os 10 países com maior número de migrantes e emigrantes nas Américas.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, afirmou que quase 50 milhões de crianças estão deslocadas no mundo.
O relatório sobre “A Crescente Crise de Crianças Refugiadas e Migrantes”, lançado nesta terça-feira, mostra que desse total, 28 milhões tiveram de fugir de suas casas por causa de conflitos e violência.
Dados Alarmantes
Os dados preocupam, por exemplo, uma em cada 200 crianças no mundo é refugiada. Na África, dos 5,4 milhões de refugiados, aproximadamente 3 milhões são crianças.
As Américas abrigam 6,3 milhões de menores refugiados, isso representa 21% do total global. A Ásia abriga 12 milhões e a Oceania 7 milhões. A Europa, por sua vez, abriga 5,4 milhões.
Ainda sobre a Europa, no ano passado 70% das crianças em busca de asilo no continente vieram da Síria, Iraque ou Afeganistão.
Brasil
O documento diz ainda que milhões de menores de idade foram obrigados a migrar para outros países em busca de um vida melhor e mais segura.
O Brasil consta do relatório do Unicef entre os 10 principais países das Américas com o maior número de imigrantes e emigrantes e também está entre as 10 nações do continente que abrigam o maior número de migrantes e refugiados com menos de 18 anos.
Segundo a agência da ONU, o maior fluxo de brasileiros nas Américas é para os Estados Unidos.
O relatório recomenta seis ações específicas para ajudar e proteger crianças migrantes e refugiadas.
Segundo o Unicef, os países devem proteger as crianças, principalmente as desacompanhadas, de exploração e violência. Eles devem também pôr um fim à detenção de menores que buscam refúgio implementando alternativas práticas.
Saúde e Educação
O documento diz que os governos devem manter as famílias unidas e fornecer acesso à saúde, à educação e a outros serviços básicos.
As autoridades devem também combater as causas dos movimentos de larga escala de migrantes e refugiados e promover à luta contra a xenofobia, discriminação e marginalidade.
O relatório afirma que, geralmente, as crianças que fogem de seus países por causa de conflitos e violência estão traumatizadas. Elas enfrentaram perigos durante a jornada, incluindo risco de afogamento durante travessia pelo mar, desnutrição e desidratação.
Sequestro e Tráfico Humano
Ainda na lista de perigos estão sequestro, tráfico humano, estupro e até mesmo morte. Quando chegam aos países de destino, essas crianças enfrentam discriminação e xenofobia.
O Unicef revelou que as crianças representam cerca de um terço da população global, mas metade de todos os refugiados no mundo. Em 2015, por exemplo, 45% das crianças refugiadas sob a proteção do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, vieram da Síria e do Afeganistão.
Além das 28 milhões de crianças que fugiram de suas casas por causa de conflitos, 17 milhões estão deslocadas dentro de seus próprios países e 1 milhão buscam asilo.
O relatório mostra que mais e mais crianças estão atravessando as fronteiras sozinhas. No ano passado, mais de 100 mil menores desacompanhados pediram asilo em 78 países, o triplo do registrado em 2014.Pobreza
Esse grupo está entre os que correm maior risco de exploração e abuso. O documento cita ainda que cerca de 20 milhões de outras crianças migrantes deixaram suas casas por várias razões, entre elas, extrema pobreza.
Segundo dados do Unicef, a Turquia é o país que abriga o maior número de crianças refugiadas no mundo. Já em relação à população, o Líbano é o que registra a maior proporção: um em cada cinco libaneses é refugiado.
Os países com maior concentração de refugiados são: República Democrática do Congo, Etiópia e Paquistão.
A educação é um dos fatores que mais preocupa a agência da ONU. Uma criança refugiada tem cinco vezes mais chance de ficar fora da escola do que as outras.
O relatório diz que quando conseguem frequentar uma sala de aula, as crianças refugiadas correm grande risco de sofrer discriminação.
*&Com informação da Radio ONU.






