Comissão de Ética da Presidência pune ex-ministro Geddel Vieira Lima com censura ética e encaminha processo ao MP

Ex-ministro Geddel Vieira Lima é suspeito de praticar advocacia administrativa.
Ex-ministro Geddel Vieira Lima é suspeito de praticar advocacia administrativa.
A Comissão de Ética da Presidência da República aprovou, por unanimidade, a aplicação de censura ética ao ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.
A Comissão de Ética da Presidência da República aprovou, por unanimidade, a aplicação de censura ética ao ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

A Comissão de Ética da Presidência da República aprovou, por unanimidade, a aplicação de censura ética ao ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, por conflito de interesses público e privado, considerando que ele teria feito pressões para a liberação de empreendimento imobiliário em Salvador, onde tem imóvel. Como a comissão identificou indícios de outras irregularidades, que vão além da questão ética, o caso foi remetido para análise do Ministério Público Federal.

A Comissão de Ética investigou denúncias, feitas pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de que Geddel o teria pressionado para a liberação da obra, que está embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Posteriormente, após ter dito que a conversa com Calero tinha como objetivo garantir empregos relacionados à obra, o ex-ministro admitiu ter um apartamento no empreendimento. Diante das denúncias, o ministro apresentou, no dia 25 de novembro, uma carta de renúncia, então aceita pelo presidente Michel Temer.

Segundo o presidente da comissão, Mauro Menezes, Geddel já foi comunicado da decisão. “É vedado ao administrador público o conflito do interesse público com o particular”, disse Menezes. “Tudo foi levado em conta [no voto do relator], desde a denúncia de Calero até a resposta de Geddell, na qual reconheceu ter patrocinado interesse particular perante um ministro de Estado.”

Menezes afirmou que, pelo fato de a comunicação do imóvel não ter sido feita, isso inviabilizaria qualquer controle sobre haver ou não conflito de interesses particulares e públicos. “Foi significativo o fato de Geddel não ter comunicado que, dentre seu rol de bens, teria este apartamento. Esse foi um dado importante e muito significativo, porque o ministro alegava jamais ter negado a propriedade”, disse o presidente da Comissão.

O presidente da comissão acrescentou que a decisão do conselho está sendo remetida ao MPF, “para a analise de outras implicações relativas ao uso do cargo para benefícios pessoais”. Segundo Menezes, não cabe à Comissão de Ética punir outras práticas ilegais, que não éticas, cometidas pelo ex-ministro. Com isso, até o momento, Geddel poderia, por exemplo, se candidatar a cargo eletivo. “Cabe à Justiça Eleitoral, e não à nossa comissão, avaliar a questão da elegibilidade de Geddel. Dependendo da análise a ser feita pelo MPF, o caso poderá encaminhado à Justiça eleitoral.”

Relator do caso na comissão, Marcelo Figueiredo disse que “mais do que uma mancha no currículo de Geddel, essa punição representa uma repreensão pública à conduta equivocada” dele, e um “sinal aos administradores”, de que essa pessoa, no episódio, infringiu a ética na gestão pública. “Como Geddel não está no governo e, portanto, não pode ser demitido, a censura ética é uma das penas previstas e capituladas no Código de Ética da Alta Administração Federal”. Figueiredo lembra que todo ministro tem a obrigação de informar ao Conselho de Ética se a medida adotada por sua pasta pode favorecer parentes de até terceiro grau.

Os conselheiros informaram que, até o momento, não houve, por parte de nenhum integrante da comissão, a intenção de abrir investigações sobre a conduta de Marcelo Calero, que além de gravar conversas com o presidente Michel Temer, denunciou também o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. “Também não foi apresentada, até o momento, nenhuma proposição relativa ao ministro Padilha nem ao José Yunes [assessor de Temer, que pediu para ser exonerado após ter seu nome relacionado às denúncias da Odebrescht]”, disse Menezes.


Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.