O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o advogado-geral da União, Jorge Messias, realizaram um encontro reservado na quinta-feira (15/01/2026), em Brasília, que marcou a primeira conversa direta entre ambos sobre a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião ocorreu na residência de Pacheco e foi descrita por interlocutores como cordial, com a reafirmação de que não há divergências pessoais entre os dois.
O diálogo ocorre em meio à manutenção do impasse político que envolve a nomeação de Messias, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro. Apesar do tom conciliador, não houve manifestação pública de apoio por parte de Pacheco, que avaliou o cenário de forma geral e indicou expectativa por uma solução institucional.
Origem do impasse e papel do Senado
A indicação de Messias desencadeou tensões com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que defendia a indicação de Pacheco ao STF. O processo exige maioria dos votos dos senadores em votação secreta, o que torna o alinhamento político entre o Planalto e a cúpula do Senado determinante para o desfecho.
Durante a conversa, Pacheco ressaltou que o resultado dependerá do entendimento entre Lula e Alcolumbre, evitando compromissos que pudessem ser interpretados como endosso formal. Paralelamente, o governo federal intensificou articulações no fim do ano para ampliar a base de apoio ao nome de Messias.
Articulação política e resistência no Senado
No encontro, Jorge Messias apresentou aspectos de sua trajetória pessoal e indicou compreender que a resistência no Senado é de natureza política, não pessoal. O desgaste com Alcolumbre teria se agravado após a falta de comunicação prévia sobre a escolha e a retenção de documentos necessários à sabatina, o que atrasou o cronograma.
Pacheco também afirmou que não pretende disputar o governo de Minas Gerais, possibilidade aventada pelo presidente, e reiterou que sua não indicação ao STF é um tema encerrado. Pessoas próximas indicam que o ex-presidente do Senado não deseja assumir o ônus político de uma eventual rejeição de Messias.
Perspectivas para retomada do processo
A reunião integra a estratégia de Messias para consolidar votos, que perdeu ritmo durante o recesso parlamentar e o período de férias, mas seguiu com encontros pontuais, como o realizado com Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela sabatina.
Aliados avaliam que houve avanços nas conversas com senadores no fim do ano e que a reaproximação entre Lula e Alcolumbre pode destravar a tramitação quando o Senado retomar os trabalhos legislativos, mantendo o cenário em aberto.
*Com informações da Sputnik News.








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