Apanágio do conservadorismo, Josias de Souza sentencia: “sem ética, sem credibilidade e sem nexo, o PSDB já não é o que foi — ou imaginava ser. E ainda não sabe o que será”

Capas da revista Veja com Aécio Neves. No primeiro momento, como querido da imprensa golpista. No segundo momento, como citado em atos de corrupção do Caso Lava Jato. A realidade se impõe, golpistas corruptos e apoiadores da usurpação democrática são revelados a partir da realidade fática.
Capas da revista Veja com Aécio Neves. No primeiro momento, como querido da imprensa golpista. No segundo momento, como citado em atos de corrupção do Caso Lava Jato. A realidade se impõe, golpistas corruptos e apoiadores da usurpação democrática são revelados a partir da realidade fática.

O jornalista Josias de Souza, reconhecido pela professa ideologia em defesa do conservadorismo, publicou artigo — neste domingo (02/04/2017), no portal de notícias UOL — com título ‘PSDB já não é o que foi e não sabe o que será’. No artigo, o jornalista sentencia: “o PSDB vive uma crise de identidade. Tornou-se o pior tipo de ético —o tipo que não consegue enxergar a ética no espelho”, […], “sem ética, sem credibilidade e sem nexo, o PSDB já não é o que foi — ou imaginava ser. E ainda não sabe o que será”.

Confira íntegra do artigo ‘PSDB já não é o que foi e não sabe o que será’

O PSDB vive uma crise de identidade. Tornou-se o pior tipo de ético —o tipo que não consegue enxergar a ética no espelho. Houve tempo em que o partido se vangloriava até de sua divisão interna. Cada arranca-rabo para a escolha de uma candidatura tucana era tratado como um marco civilizatório na vida política nacional. Dizia-se que uma disputa entre Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra só trazia vantagens, pois nenhuma outra legenda podia levar à vitrine contendores tão qualificados. Agora, o tucanato se esforça para medir não a qualificação dos seus pássaros, mas a quantidade de lama que cada um traz sobre a plumagem.

Até ontem, o PSDB apresentava-se como campeão da moralidade. E se atribuía o direito de denunciar os adversários como salteadores. Apanhados com a asa nas arcas da Odebrecht, os tucanos protegem-se alegando que caixa dois não é corrupção. Suprema ironia: na crise do mensalão, o tucanato achou que poderia sangrar Lula e varrer para baixo de sua hipocrisia a aliança do seu presidente, Eduardo Azeredo, com Marcos Valério. Na era do petrolão, o ninho acha natural ecoar o lero-lero da verba “não-contabilizada” do tesoureiro petista Delúbio Soares. Mandou a credibilidade para o beleléu.

Nas pegadas da derrota apertada de Aécio Neves em 2014, o PSDB foi ao Tribunal Superior Eleitoral. Acusou a coligação adversária de prevalecer na base do abuso do poder político e, sobretudo, econômico. Pedia, então, a cassação da chapa Dilma—Temer e a posse da chapa Aécio—Aloysio Nunes, segunda colocada. O tempo passou. Sobreveio o impeachment. Tucanos viraram ministros. E o PSDB pede ao TSE que condene Dilma à inelegibilidade, mas livre Temer da guilhotina. Sustenta que o dinheiro sujo que bancou a continuidade de madame não contaminou a reeleição do seu substituto constitucional. O tucanato perdeu o nexo.

Sem ética, sem credibilidade e sem nexo, o PSDB já não é o que foi —ou imaginava ser. E ainda não sabe o que será. Deve doer em Aécio, Alckmin e Serra a ideia de encenar o papel de políticos que fazem pose de limpinhos numa peça imunda. Meteram-se num enredo em que a personagem principal é a Odebrecht e cujo epílogo é uma candidatura presidencial do prefeito João Dória fazendo cara de nojo e alardeando na televisão que é um empresário, não um político.


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