FENAJ E SINJORBA emitem Moção de Repúdio contra Jornal A Tarde por violação dos direitos sindicais de Marjorie Moura e de direitos trabalhistas de jornalistas contratados

Sede do jornal A Tarde em Salvador.
Sede do jornal A Tarde em Salvador.
Sede do jornal A Tarde em Salvador. Empresa é acusada de violar direitos trabalhistas dos jornalistas.
Sede do jornal A Tarde em Salvador. Empresa é acusada de violar direitos trabalhistas dos jornalistas.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (SINJORBA) emitiram, nesta sexta-feira (07/04/2017), Moção de Repúdio contra a direção do Grupo A Tarde, por violação dos direitos sindicais da jornalista Marjorie da Silva Moura, presidente do SINJORBA, e por descumprimento de obrigações trabalhistas dos jornalistas contratados pelo Jornal A Tarde.

Na quarta-feira (05/04/2017), a sindicalista divulgou uma nota de protesto, em que relatava a ação arbitrária da direção do Jornal A Tarde, ao determinar a que ela cumprisse suspensão de dois dias de trabalho. No comunicado, Marjorie Moura informou, também, que a empresa tem descumprido obrigações trabalhistas e promovendo demissões sem o pagamento da multa contratual. Ela concluiu o comunicado solicitando orientação da Federação dos Jornalistas.

Confira a íntegra da Moção de Repúdio emitida pela FENAJ e SINJORBA

As diretorias da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) vem a público manifestar repúdio contra atitude de perseguição à atividade sindical, empreendida pelo Grupo A Tarde, ao advertir e impor suspensão de dois dias, incluindo hoje, Dia do Jornalista, contra a presidente do Sinjorba, Marjorie da Silva Moura. Na condição de funcionária da empresa centenária há quase 23 anos, a presidente reclamou da obrigatoriedade do uso de crachás por parte dos jornalistas diante da falta de segurança nas instalações da empresa, na qual, qualquer pessoa tem acesso a redação dos jornais A Tarde, Massa e do portal A Tarde Online, sem sofrer qualquer impedimento.

A jornalista, ao longo dos anos nos quais trabalha na empresa, já testemunhou vários casos de agressão física e moral aos colegas de redação, interpelação por pessoas estranhas e diversos furtos, um deles tendo vitimado em 2016 o diretor-geral da empresa que teve levado de sua sala um notebook pessoal. Na imprensa brasileira existem precedentes graves deste tipo de problema, o mais célebre envolvendo o escritor Nelson Rodrigues que teve o irmão Roberto Rodrigues assassinado dentro da redação do jornal A Crítica, no Rio de Janeiro.

Os jornalistas da redação reuniram-se e exigiram o recuo por parte da direção e foram recebidos por pessoas representantes de investidores que não possuem controle formal da empresa e que se recusaram a suspender a punição.

A Fenaj e o Sinjorba veem neste fato a tentativa de intimidar os jornalistas e a ação sindical em defesa dos direitos destes, que vem sofrendo com atrasos constantes de pagamento de salário (o mês de fevereiro terminou de ser pago na última quarta-feira), não recebimento do 13º salário de 2016, retenção de valores referentes a tíquetes-alimentação, planos de saúde e odontológico (não receberam os tíquetes dos meses de janeiro, fevereiro e março) e têm a prestação do plano de saúde constantemente interrompida por falta de repasse pelo grupo para estas empresas.

Além disso, a empresa vem demitindo funcionários em massa, desde julho de 2016, sem pagar as verbas rescisórias e a multa de 40%.  A diretoria do Sinjorba não vai se intimidar e continuará a atuar fortemente em todas as instâncias, Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Justiça do Trabalho, para garantir os direitos e a segurança dos trabalhadores do Grupo A Tarde e de todos os veículos de comunicação onde atuem jornalistas.

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)

Sindicato dos Jornalistas da Bahia (SINJORBA)

Salvador, 07 de abril de 2017.

Confira o comunicado de Majorie Mora

Companheiros a partir de hoje cumpro suspensão de dois dias de trabalho no Grupo A Tarde onde trabalho há quase 23 anos por ter me manifestado no correio interna da empresa contra a falta de segurança nas dependências da empresa, na quais qualquer pessoa pode ter acesso à redação onde agora os jornalistas são agora obrigados a usar crachá. A empresa não pagou o 13º salário de 2016, as férias e retém cobrança do tíquete refeição há 3 meses sem repassar o benefício, o mesmo acontecendo com os planos de saúde e odontológico e só pagou o imposto sindical do Sinjorba de 2016 em dezembro último. Para piorar, desde julho do ano passado vem demitindo funcionários em massa sem pagar os valores da rescisão e a multa de 40%. O Sinjorba vem negociando prazos para evitar o fechamento da empresa e tolerando os atrasos com o sindicato. Mas diante desta flagrante perseguição a atividade sindical, inclusive com ameaça de demissão por justa causa, vai adotar uma postura dura e intransigente.

Solicito orientações a Fenaj sobre como proceder.

Informe de Marjorie presidenta do Sinjorba.


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