Cachoeira: UFRB recebeu Angela Davis na abertura do curso Black Feminism

Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filósofa socialista estado-unidense que alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história dos Estados Unidos.
Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filosofa socialista estado-unidense que alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história dos Estados Unidos.

O campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) na cidade de Cachoeira recebeu na manhã desta segunda-feira dia (17/07/2017), a filósofa e ativista Angela Davis, referência internacional das lutas antirracistas e feministas contemporâneas. Convidada a proferir a conferência de abertura do curso “Decolonial Black Feminism in The Americas”, a norte-americana falou para a plateia que lotou o auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL).

Angela Davis agradeceu a oportunidade de visitar novamente o Brasil, em especial para participar de um curso com esta temática na cidade de Cachoeira, “um símbolo de resistência, que abriga a irmandade feminina negra da Boa Morte”. A ativista falou do atual momento político vivido pelos Estados Unidos e o Brasil e reforçou a ideia de que são os movimentos de justiça social que geram a esperança diante de cenários difíceis, em que a resistência é uma possibilidade histórica.

“A esperança reside entre aqueles que têm sido historicamente oprimidos e subjugados”, disse Davis. “Em função das mulheres negras sempre estarem posicionadas na base da hierarquia de gênero, racial e econômica, quando elas se movimentam o mundo inteiro se movimenta com elas”, completou, destacando a luta do feminismo negro no Brasil em nomes como Lélia Gonzales, Beatriz Nascimento e Luiza Bairros. Para ela, essas mulheres representam a fusão entre a produção acadêmica e o ativismo.

Davis destacou ainda, em sua fala, personalidades do movimento do feminismo negro nos Estados Unidos “que desde o início insistiram em perspectivas anticapitalistas e internacionalistas”, a exemplo da ativista e comunista Claudia Jones, a dramaturga Lorraine Hansberry e a escritora Audre Lorde. Por fim, também se referiu a sua autobiografia e trajetória política e ressaltou que “quando as mulheres negras tomam a ação, a militância de todo o povo negro é grandemente fortalecida”.

Curso na UFRB

O curso Black Feminism, que segue até o dia 21 de julho, é uma iniciativa de uma rede internacional de organizações feministas e descoloniais voltado a pesquisadores, ativistas e feministas negras de diversos países. O objetivo é fomentar o compartilhamento de experiências e conhecimentos entre os participantes, ampliando o diálogo sobre o Feminismo Negro e Decolonial numa perspectiva de intervenção junto aos movimentos sociais e a universidade.

A professora Angela Figueredo, uma das responsáveis pelo curso, ressaltou que a vinda de Angela Davis marca um momento particularmente importante para o movimento das mulheres negras no Brasil. “O movimento das mulheres negras é sem dúvida o movimento social mais importante no país hoje. É por isso que precisamos de inspirações de luta e resistência como é a trajetória de Angela Davis”, disse. Além da ativista norte-americana, as professoras Ochy Curiel, da Colômbia, e Gina Dent, dos Estados Unidos, também serão docentes do curso.

A conferência de Angela Davis foi transmitida ao vivo pela UFRB TV em seu canal no YouTube.


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