Presidente Michel Temer está encurralado pelo Justiça, escreve Le Figaro

O procurador-geral da República ingressou com representação, no STF, contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB/SP). A ação judicial requer condenação criminal e reparação dos danos materiais e morais, além da perda da função pública.
O procurador-geral da República ingressou com representação, no STF, contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB/SP). A ação judicial requer condenação criminal e reparação dos danos materiais e morais, além da perda da função pública.

Le Figaro desta quinta-feira (06/07/2017) traz uma reportagem especial sobre o Brasil e o presidente Michel Termer, com direito a chamada de capa: “o presidente brasileiro está encurralado pela justiça” é o título do texto de página inteira, publicado no dia seguinte da apresentação da defesa de Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O artigo lembra todo o escândalo envolvendo o peemedebista: desde a visita de Joesley Batista ao Palácio Jaburu, em 7 de março, passando pelo vazamento do áudio da conversa com Temer, até as imagens de Rocha Loures correndo com uma mala cheia de dinheiro: “cenas dignas de um romance policial”, afirma o texto.

A reportagem explica que o vazamento levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a denunciar Temer por corrupção passiva, em 26 de junho. Essa foi a primeira etapa para a eventual destituição do presidente, menos de um ano depois do impeachment de Dilma Rousseff. Caberá à Câmara dos Deputados, por maioria absoluta, decidir se ele será ou não julgado pelo STF. De qualquer maneira, Le Figaro ressalta que Michel Temer já entrou para a história do Brasil como o primeiro presidente denunciado por um crime de direito comum.

Longa agonia

Com certeza, esse não era o legado que o político conservador e experiente de 76 anos, que conhece perfeitamente os bastidores da política brasileira, queria deixar, salienta o diário. Depois de um ligeiro abalo, logo após o vazamento do áudio da conversa com o dono da JBS, o presidente partiu para o ataque e usa toda a sua habilidade política para sobreviver. Assim, ele prolonga uma situação que “é vivida como uma longa agonia”.

Será que Temer, que tem apenas 7% de popularidade, consegue se segurar no cargo até o fim de seu mandato? pergunta Le Figaro. O peemedebista já mostrou sua capacidade de manobra ao salvar uma primeira vez seu posto, no julgamento da chapa Dilma-Temer por financiamento ilegal na campanha em 2014.

O cientista político, Adriano Codato, professor da Universidade do Paraná, ouvido pelo jornal, acha possível Temer escapar da destituição. Ele tem apoio do empresariado brasileiro que considera que ele é o único capaz de aprovar as impopulares reformas da previdência e trabalhista. Além disso, a elite e a classe média alta não querem, de maneira alguma, a volta de Lula e do PT ao poder.

Michel Temer já trama para enfraquecer a operação Lava Jato com a ajuda de aliados como um ministro Gilmar Mendes do STF, denuncia o texto, que propõe como solução a mudança imperativa do sistema de financiamento político brasileiro para as próximas eleições. Caso contrário, a Lava Jato representará apenas um pequeno momento de moralização no país, conclui Le Figaro.

*Com informação da RFI.


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