Ministro Gilmar Medes diz que processo penal se tornou “bagunça completa” e critica procurador-Geral da República

Ministro Gilmar Mendes critica severamente atuação dos procuradores da República e do juiz Sérgio Moro.
Ministro Gilmar Mendes critica severamente atuação dos procuradores da República e do juiz Sérgio Moro.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (01/08/2017) esperar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) recupere “um mínimo de decência e normalidade” sob o comando de Raquel Dodge, que assume a chefia da instituição em setembro.

No primeiro dia de trabalho após o fim do recesso do Judiciário, nesta terça-feira, Mendes afirmou ainda que o direito processual penal brasileiro se tornou “um baguncismo”, e que o próprio STF é um dos culpados.

“Tudo isso que já falei: doutrina de Curitiba [em referência à Operação Lava Jato], doutrina Janot [Rodrigo Janot, atual procurador-geral da República], isso não tem nada a ver com direito, é uma loucura completa que se estabeleceu. É uma bagunça completa”, disse Mendes antes de entrar para a sessão da Segunda Turma do STF.

“Direito penal foi todo reescrito, isso precisa ser arrumado, o Brasil tem que parar para pensar: a gente bagunçou tudo, agora tem que parar para arrumar.”

Para Mendes, ao ter decidido, em junho, que não cabe ao plenário debater os termos dos acordos de delação premiada antes da homologação pelo relator, o STF “ficou a reboque das loucuras do procurador”, disse ele, numa referência ao atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Certamente o Tribunal vai ter que se reposicionar [neste segundo semestre]”, afirmou.

Aécio Neves

Mais cedo, Mendes já havia criticado Janot por encaminhar ao STF um novo pedido de prisão preventiva do senador Aécio Neves (PSDB-MG). “Eu acho que é bom que atores jurídico-políticos leiam a Constituição antes de seguir suas vontades”, disse Mendes, em referência à insistência de Janot em pedir a prisão de Aécio.

Ontem (31), a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou mais um recurso pela prisão preventiva do senador, após o ministro Marco Aurélio Melo ter negado a medida cautelar no mês passado, alegando que o caso de Aécio não se tratava de flagrante de crime inafiançável, única situação em que a Constituição prevê prisão contra parlamentar em exercício.

Próximos julgamentos

Neste mês, o STF deve julgar ao menos dois casos relevantes no campo do direito penal, ambos relacionados à Lava Jato: uma denúncia da PGR por corrupção passiva contra o senador Fernando Collor (PTC-AL), e outra contra sete parlamentares e ex-parlamentares do PP.

Temas como a competência da Polícia Federal para negociar acordos de colaboração premiada e a extensão do foro privilegiado também devem ser abordados pelos ministros do Supremo neste semestre.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Redação do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.