Apuração confirma vitória de Angela Merkel nas eleições gerais na Alemanha; entenda o desfecho da eleição

Angela Merkel fala a imprensa após eleições na Alemanha.
Angela Merkel fala a imprensa após eleições na Alemanha.

A apuração final dos votos das eleições gerais na Alemanha confirmou nesta segunda-feira (25/09/2017) a vitória do bloco conservador liderado pela chanceler, Angela Merkel, e a estreia da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) no Parlamento como terceira força. Com informações da EFE.

Segundo os dados divulgados pelo Escritório Eleitoral Federal, a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e sua irmanada União Social-Cristã da Baviera (CSU) ficaram com 33% dos votos, uma queda de 8,5 pontos em relação há quatro anos e o seu segundo pior resultado depois dos 31% de 1949.

O Partido Social democrata (SPD), liderado por Martin Schulz, caiu para 20,5%, mais de cinco pontos abaixo das eleições gerais anteriores e o pior resultado da história da legenda.

A AfD, que nas eleições de 2013 ficou fora do Bundestag (equivalente à Câmara dos Deputados) ao não conseguir, por alguns décimos, o mínimo necessário de 5% dos votos, neste domingo conquistou 12,6%.

O Partido Liberal (FDP), legenda tradicionalmente que pende a balança na Alemanha e que há quatro anos também não conseguiu o mínimo para entrar no Legislativo, retorna à Câmara com o apoio de 10,7%.

A Esquerda obteve 9,2% dos votos, seis décimos mais que em 2013, enquanto o Partido Verde ficou com 8,9%, meio ponto a mais que nas eleições anteriores.

De acordo com a lei eleitoral, após serem apurados todos os primeiros votos (diretos para um candidato) e os segundos (listas de partidos) o Parlamento será ampliado das 631 cadeiras da última legislatura para 709, o maior número até o momento.

Um governo com maioria parlamentar exigiria a reedição da grande coalizão entre conservadores e social-democratas que Merkel liderou na última legislatura, mas que Schulz rejeitou ontem à noite; ou a formação de uma tripartite entre os partidários da chanceler, os liberais e os verdes.

Trata-se de uma aliança inédita em nível federal e as negociações serão difíceis devido às diferenças nos programas dos dois partidos minoritários, mas Merkel acredita contar com um governo antes do Natal.

A participação dos alemães nestas eleiçoes gerais, segundo os dados do Escritório eleitoral federal, ficou em 76,2%, frente a 71,5% em 2013.

Angela Merkel diz que queria resultado melhor e promete “recuperar” parte dos eleitores

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu que queria “um resultado melhor”, apesar de conseguir ser reeleita para um quarto mandato nas eleições gerais realizadas neste domingo, e se comprometeu a “reconquistar” o eleitor da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD). As informações são da Agência EFE.

“Atingimos o objetivo estratégico”, afirmou a líder conservadora, na sede da União Democrata-Cristã (CDU), destacando que nenhuma outra formação, fora a sua, poderá tentar formar uma coalizão de governo.

A aliança conservadora de Merkel impôs-se nas eleições gerais com 32,7% dos votos, 12% a mais que o Partido Social Democrata (SPD), conforme a pesquisa de boca de urna feita pela emissora pública de TV ZDF, enquanto a AfD ficou em terceiro lugar, com 13,4%.

Merkel adiantou que o seu partido fará uma “análise compreensiva” do que aconteceu e que tentará ganhar de volta os alemães que tradicionalmente votavam no seu bloco conservador e desta vez optaram pelos ultradireitistas. Segundo ela, a ideia é entender suas preocupações e seus medos, mas, principalmente, convencê-los com uma “boa política”.

Agora, conforme disse, a aliança buscará “conversas tranquilas” com “outros parceiros” para tentar formar uma coalizão de governo estável.

Social-democrata reconhece derrota e diz que partido fará oposição a Merkel

O candidato do Partido Social-Democrata (SPD) nas eleições federais da Alemanha, Martin Schulz, reconheceu a derrota na votação realizada neste domingo (24) e afirmou que fará oposição à atual chanceler Angela Merkel, vencedora do pleito, após quatro anos de aliança com a União Democrata-Cristã (CDU). As informações são da Agência EFE.

Entrevistado pela emissora pública alemã após um breve pronunciamento para os eleitores, Schulz disse ter “total apoio” da direção do SPD para continuar na liderança do partido e renová-lo.

Para os militantes do SPD, após a divulgação dos primeiros resultados de boca de urna que indicavam que o partido teve 21% dos votos, o pior resultado desde a Segunda Guerra Mundial, Schulz alertou para a “fratura” representada pela entrada no Bundestag da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).

“Falhamos no nosso objetivo”, reconheceu Schulz, que avaliou que o SPD não conseguiu convencer a base eleitoral tradicional do partido. Ele também alertou sobre a “impressionante força” da AfD, um fato que “nenhum democrata pode deixar de lado”.

Schulz, que também citou a queda dos votos obtidos pelo partido de Merkel no pleito, indicou que a chegada de mais de 1 milhão de refugiados na Alemanha ainda causa tensão no país.

“Lutaremos veementemente e com todas as nossas forças contra a extrema direita”, prometeu o ex-presidente do parlamento europeu.

O SPD, segundo Schulz, independente do resultado, seguirá lutando por princípios e valores como a democracia, a tolerância, o respeito e o sentimento de comunidade.

O candidato indicou que, no último governo, o SPD conseguiu, dentro da coalizão liderada por Merkel, implantar um salário mínimo interprofissional, melhorar as aposentadorias e conter o aumento dos aluguéis no país.

Entenda o desfecho da eleição na Alemanha

Apesar de perder apoio, partido de Merkel mantém liderança e garante quarto mandato para chanceler federal. Novidade é ascensão dos nacionalistas de direita, que entram pela primeira vez no Parlamento em mais de 50 anos.

Os alemães foram às urnas em todo o país neste domingo (24/09/2017) para eleger os novos membros do Parlamento. O resultado da eleição legislativaseguiu as previsões, mantendo os partidos que estão no governo como líderes de voto, apesar das perdas significativas, e trazendo pela primeira vez em mais de 50 anos os populistas de direita ao Parlamento, aonde chegam como a terceira maior força política do país.

Alerta a Merkel

A União Democrata Cristã (CDU) e sua ramificação bávara União Social Cristã (CSU), que tinham a atual chanceler federal, Angela Merkel, como candidata à reeleição, mantiveram a liderança na votação deste domingo, mas viram cair de forma significativa seu apoio.

Foram 33% dos votos para CDU/CSU, com perda de 8,5 pontos percentuais em comparação com a última eleição, em 2013. Esse é o pior resultado da legenda desde 1949.

Em pronunciamento após a divulgação das primeiras projeções, Merkel, que garante, assim, um quarto mandato, reconheceu que “esperava resultados melhores”, mas se disse feliz por fazer parte do “partido mais forte”. Ao todo, a CDU/CSU deve ocupar 246 cadeiras no Parlamento.

Dia difícil para social-democratas

Atual parceiro de coalizão de Merkel, o Partido Social Democrata (SPD), do candidato Martin Schulz, ficou em segundo lugar, com 20,5% dos votos. O resultado corresponde a 5,2 pontos percentuais de queda em relação à eleição passada, há quatro anos.

O número também não agradou aos social-democratas, que, assim como a CDU/CSU, obtiveram seu pior resultado em eleições legislativas desde o pós-Guerra. O partido deve ocupar, ao todo, 153 cadeiras no Parlamento.

“Hoje é um dia difícil e amargo para a social-democracia alemã. E vou dizer diretamente: nós não atingimos o nosso objetivo nestas eleições”, reconheceu Schulz em pronunciamento durante a noite.

Do governo à oposição

Assim que saíram os primeiros resultados, o SPD anunciou que não deve continuar apoiando a chanceler federal e que pretende voltar à oposição. “Este é um resultado muito ruim para o SPD, uma derrota muito dura. Para nós, a grande coalizão acaba aqui”, afirmou a vice-presidente do partido, Manuela Schwesig, anunciando o divórcio que mais tarde foi confirmado por Schulz.

A vitória sem margem de conforto deve render dificuldades para Merkel formar uma nova coalizão governista. Com a saída do SPD, resta à chanceler federal tentar negociar com os liberal-democratas, que já foram seus parceiros de coalizão antes de 2013, e provavelmente os verdes.

Questionada se teria um governo formado antes do fim do ano, Merkel se negou a fazer previsões, mas descartou a formação de um governo minoritário. “Tenho a intenção de chegar a um governo estável na Alemanha”, declarou a chanceler federal.

Em 2013, as negociações para a formação da coalizão da CDU de Merkel com os social-democratas se estenderam por dois meses. Enquanto uma nova parceria entre as legendas não se forma, mantém-se o atual governo.

Nacionalistas no Bundestag

A grande novidade da eleição legislativa deste domingo foi a ascensão da Alternativa para Alemanha (AfD), o partido populista de direita fundado há pouco mais de quatro anos. Ele ingressa pela primeira vez no Parlamento, como a terceira maior bancada.

Com 12,6% dos votos, a AfD deve ocupar 94 cadeiras no Bundestag, à frente de grupos tradicionais que atuam há décadas, como A Esquerda e os verdes. Independentemente de como Merkel rearranjar sua coalizão governista, a legenda populista, que teve um avanço de 7,9 pontos percentuais em relação a 2013, será um dos principais partidos de oposição.

A última vez que a Alemanha do pós-Guerra viu um partido nacionalista chegar tão longe foi no início da década de 1960, quando agremiações como os extintos Partido Alemão e o BHE (o braço político da liga dos alemães expulsos do leste da Europa) chegaram a ocupar cadeiras no Parlamento, mas nenhum deles teve uma votação tão expressiva como a da AfD neste domingo.

Retorno dos liberais

O Bundestag será composto por seis bancadas. O Partido Liberal Democrático (FDP) vem logo atrás da AfD, e volta ao Parlamento após um hiato de quatro anos. Ao conquistar 10,7% dos votos, desta vez os liberais mais que dobraram seu resultado na eleição anterior, de 4,8%, e portanto abaixo da cláusula de barreira de 5% para conseguir mandatos no Parlamento. Na próxima legislatura, eles devem ocupar 80 cadeiras no Bundestag.

Verdes e A Esquerda mantêm apoio

Outras duas bancadas no Parlamento serão do A Esquerda e do Partido Verde. O primeiro é fruto da fusão de duas agremiações esquerdistas: o Partido do Socialismo Democrático (PDS) – criado em 1989 e que sucedeu ao Partido Socialista Unitário da extinta Alemanha Oriental (SED) – e o Alternativa Eleitoral por Trabalho e Justiça Social (WASG) – criado em 2005, aglutinando dissidentes do SPD e sindicalistas. Já o Partido Verde tem a questão ambiental como principal agenda.

Ambos aumentaram seu apoio em apenas alguns décimos em relação a 2013. A Esquerda obteve 9,2% dos votos e, com isso, ocupará 69 cadeiras no Bundestag, e os verdes terão 67 assentos, com 8,9% dos votos.

Três quartos dos eleitores nas urnas

O voto na Alemanha não é obrigatório. Ainda assim, 76,2% dos eleitores compareceram às urnas neste domingo para exercer seu direito democrático. A participação foi maior do que na eleição passada, em 2013, quando ficou em 71,5%.

Alemães protestam em frente a evento do AfD aos gritos de “fora nazistas”

Ao todo, 1 milhão de pessoas, a maioria jovens, protestaram neste domingo (24), aos gritos de “fora nazistas”, na frente do espaço alugado pelo eleitores do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) no centro de Berlim para festejar os resultados das eleições de hoje. As informações são da Agência EFE.

Com aproximadamente 13% dos votos, conforme projeções, o AfD entrará para o Bundestag (Parlamento alemão) como a terceira maior força parlamentar, questão que também gerou protestos em outras grandes cidades do país.

A concentração em Berlim aconteceu na porta do Traffic Club Berlin, a poucos metros da Praça Alexanderplatz, onde os líderes do partido e seus simpatizantes deram entrevista e comemoraram o sucesso nas eleições.

Cercados por um amplo esquema de segurança, os protestos começaram logo depois da divulgação das primeiras projeções. A maioria dos manifestantes criticava o discurso xenófobo de um partido que fez da rejeição aos imigrantes e refugiados o principal eixo de campanha.

“Não existe espaço para a propaganda nazista”, “Nacionalistas fora” e “Refugiados bem-vindos” foram algumas das frases ouvidas durante a manifestação em Berlim.

De acordo com a imprensa alemã, também ocorreram protestos em Colônia, Hamburgo e Frankfurt, sem registro de incidentes.

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