
Reportagem de Alexandre Galvão, publicada nesta terça-feira (24/10/2017), no site Bahia.BA, apresenta análise do projeto de construção do Centro de Convenções Municipal Salvador. O projeto foi apresentado na segunda-feira (23) pelo prefeito ACM Neto (DEM). A edificação deve ocupar a mesma área do antigo shopping Aeroclube Plaza Show, na Avenida Otávio Mangabeira, entre os bairros da Boca do Rio e Jardim Armação.
Pós-doutor em Ciência e Engenharia de Materiais e especialista em corrosão, o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Daniel Veras Ribeiro, criticou severamente a escolha do local para implantação do Centro de Convenções Municipal de Salvador. O empreendimento, segundo o professor, será afetado pelo elevado teor de salinidade. Á área é considerada uma das mais atingidas pela intensidade do fenômeno natural.
“É um absurdo total escolher aquele lugar. Ali, onde querem fazer, a ação do salitre é ainda mais intensa do que onde está o atual Centro de Convenções da Bahia. Temos, nesse projeto novo, uma possibilidade muito alta de desperdício de recurso público, pois a gente bem sabe que fazem as obras e não fazem a manutenção ao longo dos anos”, afirmou Daniel Veras, que também coordena o Laboratório de Ensaios em Durabilidade de Materiais (LEDMA).
Sem os devidos cuidados, o professor da UFAB estima que o prédio terá que ser interditado e passar por reparos periodicamente. “Você pode ter um gasto gigante ao longo dos anos. Nos moldes do projeto atual, nos leva a entender que a perspectiva de conservação não é das melhores. Se ficar como está, onde está, de cinco em cinco antes tem de passar por uma grande manutenção”, orientou.
Para evitar o rápido desgaste das estruturas, Daniel Veras dá duas indicações à prefeitura: estabelecer um projeto de durabilidade ou mudar o local de instalação. O primeiro conselho, segundo ele, encareceria o plano em mais R$ 500 mil, mas daria vida média ao complexo de até 120 anos.
“Esse plano de durabilidade é algo que tem que ser feito antes mesmo do projeto. Se não fizerem isso, não justifica colocar o centro ali”, ponderou, ao salientar que a duplicação de grandes portos, por todo mundo, passam por processos semelhantes.
Nem mesmo as medidas já adotadas pela administração soteropolitana, como uma barreira de salinidade apresentada pelo secretário de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), Guilherme Bellintani, e o revestimento de concreto nas estruturas de aço, devem resistir à ação da natureza, aponta Daniel Veras.
“Isso [a barreira] faz pouca diferença. O problema é aquela espécie de ‘spray’ de água que existe quando o mar arrebenta. Contra isso, não tem o que fazer”, decretou.
Custo
O projeto da administração de ACM Neto tem custo estimado de R$ 93 milhões e conta com recursos municipais e do Ministério do Turismo. A obra tem previsão de ser concluída em dezembro de 2018.
Leia +







