Caó e a vereadora Marielle Franco são homenageados na ABI

Negra, mãe e socióloga, a vereadora Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco, PSOL) foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres.
Negra, mãe e socióloga, a vereadora Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco, PSOL) foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres.

Representativo, a data 21 de março de 2018 é alusiva ao dia Internacional contra a Discriminação Racial, criado pela ONU. Foi especialmente escolhida para homenagear Caó, que transformou o preconceito de raça, cor, sexo e estado civil em contravenção penal, e a emenda constitucional que tornou o racismo crime inafiançável e à vereadora Marielle Franco. Emblemáticos, receberam todas as honras pelo legado deixado.

“O intuito do nosso evento foi ressaltar o legado e enaltecer a memória desses grandes ativistas, intelectuais e da gente comum negra brasileira”, atestou o interlocutor da CCIR, Ivanir dos Santos.

O evento foi de grande emoção, diversos segmentos culturais marcaram presença. Abriu com performance de dança e poesia com Padê, onde trouxe um corpo de 27 dançarinos. “Foi uma homenagem as raízes fortes, negras, que nos trazem tantas representatividades”, atestou Padê.

Dois banners, um com uma foto da vereadora e com a frase “Marielle Vive” e outro com foto de Caó com os dizeres “Dignidade Já”, foram colocados no fundo do palco. Onde Glauce Pimenta Rosa cantou acompanhada de Jéssica Castro, na percussão. O músico Carlos Negreiros, mandou ver a música ‘Ancestralidade’, a cantora Áurea Martins, arrasou cantando a capela. Houve ainda exibição do curta ‘Igualdade Já’, de Wanda Ribeiro e Filó. Seguido de ‘Quase Tudo Pandeiro’ – com Pedro Lima e Negreiros, que fizeram uma segunda apresentação com voz e percussão. Miramar Mangabeira apresentou ‘Ele é o nome da lei’, em formato de poesia musicada. Destaque para a historiadora e pesquisadora Carolina Rocha, que declamou uma poesia.

Os atores Déo Garcez e Nívia Helen, fizeram um trecho da peça teatral ‘Luiz Gama – Uma Voz pela Liberdade’. Onde contam a história de Luiz Gama, advogado negro que viveu entre 1830 e 1882.

Esses e tantos outros fizeram questão de marcar presença, com linguagem diferentes, deram seu recado. Onde também compareceram representantes da OAB, ABI, Cojira Rio, CEAP, Marcelo Rosa (Subsecretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial de São João de Meriti), além de religiosos como os pastores Marcos Amaral (Igreja Presbiteriana) e Neil Barreto (Igreja Batista Betânia), budistas, muçulmanos, hare krishna, indígenas, umbamdista, candomblesistas, Fátima Damas (CEUB), Paulo Maltz (FIERJ), Ruth Pinheiro (Cadon), Admeire Exaltação (Casa das Pretas), Jurema Batista, Minc, Conceição d`Lissá, Helena Theodoro, Diácono Nelson (Arquidiocese), Dida Nascimento, entre outros. Sem sombra de dúvida, o ato foi grande relevância para todos.

“Um glande símbolo de luta e de combate ao racismo”, contextualizou Elisa Larkin Nascimento, sobre Caó.

“Caó viverá para contribuir com a luta do povo preto, para que não seja banalizada”, acrescentou a Pastora Luterana Lusmarina.

“Nós fomos frutos de Marielle e vamos ficar”, Pastor Kleber Lucas – Igreja Batista Soul.

Em diversos momentos, ecoavam coros e a palavra de ordem foi: “Caó, presente!”, “Marielle, presente!”, “Abdias Nascimento, presente!”.

Ainda no evento, noite de autógrafo do livro – 21 Dias de Ativismo Contra o Racismo – Experiência 2017. O livro é um resumo de experiências de ativistas de várias formas e lutas antirracistas em um período de 21 dias mobilizado, pelo 21 de março.

“Foi integralmente organizada por ativistas, alunos, professores, profissionais de diversos setores que utilizam o seu trabalho, os seus estudos para apresentar olhares sobre a luta antirracistas”, afirmou Luciene Lacerda.

E um cortejo se do palco para o hall, com integrantes Filhos de Ganhdi, fechado com chave de ouro o ato.


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