Nesta quarta-feira, 07/03/2018, durante sessão ordinária da Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Antônio Carlos Passos Ataíde, Carlito do Peixe (DEM), criticou a atuação do Governo do Estado da Bahia, então comandado por Rui Costa, e afirmou que faltavam ações efetivas em áreas consideradas prioritárias para o município, especialmente saúde pública, segurança e infraestrutura. A manifestação ocorreu em plenário e teve participação do vereador Isaías dos Santos, Isaías de Diogo (PSC), que reforçou críticas ao funcionamento da regulação estadual e à capacidade de atendimento das unidades públicas.
Carlito do Peixe cobra presença do Governo da Bahia em Feira de Santana
Ao usar a tribuna da Câmara Municipal, Carlito do Peixe afirmou que o Governo da Bahia não estaria tratando Feira de Santana com a atenção necessária. O vereador mencionou pronunciamento público do governador Rui Costa e avaliou que a comunicação oficial do Estado apresentava um quadro excessivamente positivo da gestão, sem abordar, segundo ele, problemas enfrentados pela população na área da saúde e da segurança.
O parlamentar disse ter assistido a um vídeo em que Rui Costa destacava realizações do governo, como obras de mobilidade urbana e críticas à administração do então prefeito de Salvador, ACM Neto. Para Carlito, o governador deveria visitar hospitais públicos da capital e do interior antes de sustentar uma avaliação favorável sobre a situação da Bahia.
Segundo o vereador, a realidade dos serviços públicos exigiria maior presença do Governo do Estado em unidades hospitalares e equipamentos regionais. Ele citou especialmente o atendimento em Feira de Santana, município que exerce papel estratégico no interior baiano e recebe demanda de diversas cidades da região.
Saúde pública concentra críticas durante debate no plenário
A saúde foi o principal eixo das críticas apresentadas na sessão. Carlito do Peixe afirmou que hospitais públicos da Bahia enfrentavam dificuldades e defendeu que o Governo do Estado verificasse diretamente as condições de atendimento. A cobrança teve como foco o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), unidade estadual sediada em Feira de Santana e referência regional para atendimentos de média e alta complexidade.
Durante o debate, o vereador Isaías de Diogo fez aparte e declarou que o Governo do Estado não estaria cumprindo compromissos na área. Ele classificou a regulação de pacientes como uma “fila da morte”, expressão usada para criticar a demora no acesso a atendimento hospitalar, e afirmou que havia relatos de mortes associadas à falta de assistência adequada.
Isaías também questionou a capacidade de UPAs e policlínicas para atender casos de maior gravidade. Na avaliação do parlamentar, essas unidades não substituiriam hospitais estruturados para procedimentos complexos, internações e situações emergenciais que exigem suporte especializado.
HGCA, regulação e repasses municipais entram no centro da discussão
Carlito do Peixe afirmou que, caso o governador não visitasse pessoalmente os hospitais, deveria designar representantes para acompanhar a situação. O vereador sugeriu que o líder governista em Feira de Santana poderia verificar as condições do HGCA e encaminhar informações ao chefe do Executivo estadual.
O parlamentar também sustentou que o Hospital Geral Clériston Andrade não faria “favor” ao atender pacientes de Feira de Santana, uma vez que, segundo ele, a unidade receberia repasses relacionados ao atendimento da população local. A declaração foi feita no contexto da disputa política sobre responsabilidades entre município e Estado no financiamento e na organização da rede pública de saúde.
Na avaliação do vereador, o sistema de regulação não estaria funcionando de forma satisfatória e acabaria pressionando policlínicas municipais, que, segundo ele, não teriam estrutura para absorver determinados tipos de atendimento. A crítica aponta para um tema recorrente na gestão do Sistema Único de Saúde: a articulação entre atenção básica, urgência, média complexidade, alta complexidade e leitos hospitalares.
Obra do Centro de Convenções também foi citada
Além da saúde, Carlito do Peixe mencionou a paralisação da obra do Centro de Convenções de Feira de Santana. O vereador afirmou que o equipamento estava parado havia anos e cobrou conclusão por parte do Governo do Estado.
A referência à obra ampliou o alcance da crítica política, deslocando o debate da saúde para a infraestrutura pública estadual no município. Para o parlamentar, a ausência de conclusão do equipamento simbolizava a falta de prioridade dada a Feira de Santana.
O tema possui relevância administrativa e econômica porque centros de convenções podem fortalecer o turismo de negócios, atrair eventos, movimentar serviços e ampliar a circulação de renda local. Na sessão, contudo, a cobrança foi apresentada como parte de uma crítica mais ampla à atuação estadual no município.
Segurança pública e ano eleitoral compõem pano de fundo político
Carlito do Peixe também citou a segurança pública entre os temas que, segundo ele, não teriam recebido a devida atenção na comunicação do Governo da Bahia. O vereador afirmou que o pronunciamento de Rui Costa abordava obras e disputa política, mas deixava de lado problemas sensíveis para a população.
O debate ocorreu em ano eleitoral, uma vez que 2018 foi marcado pela disputa ao Governo da Bahia. Ao final da fala, Carlito afirmou que os eleitores teriam a oportunidade de mudar o cenário político do Estado, vinculando sua crítica administrativa ao calendário eleitoral daquele ano.
Isaías de Diogo, ao participar novamente do debate, disse ter acompanhado manifestações em redes sociais e observado insatisfação de cidadãos com promessas que, segundo ele, não teriam sido cumpridas pelo governador. A declaração reforçou o tom político da sessão, sem apresentação, no conteúdo original, de dados oficiais que quantificassem essa percepção.







