Arquivo Nacional encerra neste sábado evento dos 130 anos da abolição

Negros representados numa rua do Rio de Janeiro. Gravura contida no livro "Sud-Amérique: séjours et voyages au Brésil, a la Plata, au Chili, en Bolivie et au Pérou" de Comte Charles d' Ursel, 1879. Obra rara do acervo bibliográfico do Arquivo Nacional.
Negros representados numa rua do Rio de Janeiro. Gravura contida no livro "Sud-Amérique: séjours et voyages au Brésil, a la Plata, au Chili, en Bolivie et au Pérou" de Comte Charles d' Ursel, 1879. Obra rara do acervo bibliográfico do Arquivo Nacional.
Negros representados numa rua do Rio de Janeiro. Gravura contida no livro "Sud-Amérique: séjours et voyages au Brésil, a la Plata, au Chili, en Bolivie et au Pérou" de Comte Charles d' Ursel, 1879. Obra rara do acervo bibliográfico do Arquivo Nacional.
Negros representados numa rua do Rio de Janeiro. Gravura contida no livro “Sud-Amérique: séjours et voyages au Brésil, a la Plata, au Chili, en Bolivie et au Pérou” de Comte Charles d’ Ursel, 1879. Obra rara do acervo bibliográfico do Arquivo Nacional.

O Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, encerra hoje (12/05/2018) com show do grupo Afoxé Filhos de Ghandi, do Grupo de Capoeira Angola Ypiranga de Pastinha e da Banda Bumoko, do Congo-Angola, evento alusivo aos 130 anos da abolição da escravatura no Brasil. A apresentação será a partir das 12h, com entrada franca.

Durante a semana de eventos, foi realizado Seminário sobre Pós-Abolição: 130 anos depois da Lei Áurea, que debateu os problemas atuais enfrentados pela população negra.

Responsável pela curadoria do seminário, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutora em história comparada, Helena Theodoro, destaca que 130 anos depois, os negros ainda vivem um “apartheid” dentro do país, sendo a maioria da população pobre, carcerária e os principais alvos da violência.

Para a professora, o Brasil só vai se desenvolver se levar em consideração que seu povo é mestiço. “Tem que ter um processo de reeducação, porque esse problema não é um problema de negros, mas do país”.

O babalawo Ivanir dos Santos, funcionário do Arquivo Nacional e idealizador do seminário, destacou que os negros conquistaram espaços nas universidades e no mercado trabalho, porém é preciso avançar nas representações políticas. “A identidade negra tem crescido na sociedade de certa forma. Isso é um avanço considerável, mas muito temos que fazer ainda, levando em conta que o genocídio da juventude negra é bem alto na sociedade brasileira”.

Sobre a representatividade nas esferas políticas, o primeiro doutor negro em teologia no Brasil, Geraldo Rocha, da Universidade do Grande Rio (Unigranrio),citou que há apenas um senador negro. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, dos 94 deputados, apenas quatro são negros. A Câmara dos Deputados tem 43 parlamentares negros para um total de 513 deputados.

Rede de proteção

Rocha destacou que de cada dez ricas no país, oito são brancos e dois são negras. Na sua avaliação, existem estratégias para manutenção da subalternidade dos negros no mercado de trabalho, que envolvem, segundo ele, fatores como raça e posicionamento político. “Existe uma rede de proteção no mercado de trabalho que vai fazer ascender alguns e outros permanecerão como eternos coadjuvantes”.

Para o doutor em educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Amauri Mendes Pereira, essa questão vem desde a imigração europeia para o Brasil, quando defendia-se a necessidade de importação de mão de obra qualificada, pois o povo “que se tinha aqui – negro, mestiço – não era capaz de construir uma civilização”.

O Decreto-Lei 528, de 1890, vedava o ingresso no Brasil de imigrantes da África e da Ásia. “Ou seja, pela lei, o Estado republicano se constrói com um viés acentuadamente racial”.

O professor defende que políticas de ações afirmativas são a melhor forma para o enfrentamento eficaz das desigualdades raciais e espera que o novo presidente priorize essa questão.

*Com informações da Agência Brasil.


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