O enredo das ‘Vinte e duas cartas’ de Renata Tourinho | Por Luiz Holanda

Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.
Capa do livro ’Vinte e duas cartas’ e imagem de Renata Tourinho, autora da obra literária.

Livros são objetos fantásticos. Segundo Carl Sagan, um livro é a prova que nos capacita a fazer mágica, seja para ajudar na vida, seja para nos levar a outros mundos, como nas viagens fantásticas de Renata Tourinho. Ler é a atividade mais poderosa que a mente humana pode realizar.

No livro as Vinte e Duas Cartas, publicado pela Editora Chiado, Renata S. Tourinho tece um enredo fazendo questionamentos que envolvem o leitor na busca do conhecimento de si mesmo. Quem sou eu, por que eu estou aqui, o que eu procuro e o que eu preciso saber sobre mim são perguntas que nos levam a reflexões interiores.

Esta compreensão é um elemento fundamental na vida de um ser humano; uma espécie de ajuda para se enfrentar as vicissitudes superando suas fragilidades e tentando, a todo custo, vencê-las. Segundo a autora “amar-se é amar o Todo. É reconhecer-se parte do Todo. É saber-se parte e Todo, como quem se reconhece que está contido em algo maior e infinito. E saber amar a si mesmo, compreender-se e aceitar-se, é fundamental”.

Existe um começo? Existe um fim? Por que isso está acontecendo? Eu tenho escolha? Existe destino? Eu posso recomeçar? são reflexões que permeiam a vida do ser humano em sua jornada. Renata nos faz refletir sobre nosso posicionamento nessa caminhada, e qual a direção que tomamos.

Como se sabe, a vida é uma luta constante para superar os obstáculos postos em nosso caminho. Daí a autora nos fazer indagações para que possamos entender a necessidade de criar um direcionamento. De vez em quando, Tilda, a personagem principal, parece sair de si mesma e voltar para outras vidas. Para ela eram sonhos estranhos.

Logo nas primeiras páginas há uma volta a uma rua com calçamento de pedras retangulares, vermelhas, num edifício antigo com uma plaqueta: 5 de maio de 1945. Esse local voltará frequentemente às lembranças da personagem, que só serão esclarecidas no final do enredo, aguçando a curiosidade do leitor.

Tilda nos leva em seus sonhos a outras histórias vividas por ela num passado bem distante. Uma delas se passa no Egito, onde se vive a invasão dos Hicsos, povo asiático. Em outro sonho, ela vive a fuga -com seu marido e seus filhos-, da erupção de um vulcão em uma cidade grega, no milênio II, antes de Cristo. Já em outro, vive com o marido, muito mais velho, em Tiro, no Líbano. No futuro, sofrerá muito com a sua morte.

Em todos esses momentos, Tilda é apoiada por um homem de olhos negros como a noite, muito brilhantes. Ele sempre lhe oferece uma bússola fazendo o pedido: encontre-o.

Na vida real da personagem, a autora nos leva a Paris, a Utrecht, a Amsterdam, na Holanda, e a Lisboa, em Portugal. Nessas viagens Renata nos traz dados históricos e excelentes conhecimentos sobre vários locais, nos encantando com seus conhecimentos de história e arte. O artista Vincent Van Gogh, por exemplo, tem sua história de vida contada para o leitor.

Através de outra personagem, Annabelle, a autora nos leva a 1270, a 1578 e ao século XVIII, trazendo-nos informações sobre a prostituição e a visão que se tinha das mulheres na Holanda. Compara com o hoje, em que “as moças se exibem dentro dessas pequenas vitrines vermelhas voltadas para a rua”. No livro se encontra, também, de forma bastante interessante, a história de Lisboa, que, para Tilda, é uma das cidades mais belas do mundo.

Retornando ao homem dos olhos brilhantes, e lembrando-se de sua bússola e do seu pedido (encontre-o), Tilda começa a entender que o que ela precisa encontrar é o verdadeiro amor e a compreensão de que ele se faz presente de várias formas: nos filhos, nos amigos e na pessoa que se ama, pois amar é o verdadeiro sentido da vida. É para aí que a bússola do homem dos olhos brilhantes nos leva, porque ele é o Amor.

 *Luiz Holanda é advogado e professor universitário.


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