Conselho de Segurança da ONU discutiu atuação de Israel em Gaza; violência causou a morte de pelo menos 58 palestinos e deixou 1,3 mil feridos

Nickolay Mladenov, coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio.
Nickolay Mladenov: não existem palavras para descrever o que aconteceu, não existe justificativas para as mortes, não existe desculpa, não ajuda ninguém e, certamente, não serve a causa da paz.
Violência em Gaza causou a morte de pelo menos 58 palestinos e deixou 1,3 mil feridos.
Violência em Gaza causou a morte de pelo menos 58 palestinos e deixou 1,3 mil feridos.

O Conselho de Segurança das Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu reunião de emergência nesta terça-feira (15/05/2018) para discutir a violência em Gaza, que causou a morte de pelo menos 58 palestinos e feriu outros 1,3 mil.

Durante o encontro, o coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que segunda-feira foi “um dia de tragédia. ”

Condenação

Nickolay Mladenov afirmou que “não existem palavras para descrever o que aconteceu, não existe justificativas para as mortes, não existe desculpa, não ajuda ninguém e, certamente, não serve a causa da paz.

O coordenador citou vários relatos dando conta de seis crianças entre os mortos. Segundo ele, estes números fazem de segunda-feira “o dia mais sangrento em Gaza desde o conflito em 2014”.

O responsável pediu que os Estados-membros condenassem “nos termos mais fortes possíveis as ações que levaram à perda de tantas vidas. ”

Responsabilidade

Segundo ele, Israel “tem a responsabilidade de calibrar a sua força”. O coordenador diz que o país “tem de proteger as suas fronteiras de infiltrações e terrorismo, mas deve fazê-lo de forma proporcional e investigar, de forma independente e transparente, qualquer incidente que leve à perda de uma vida humana. ”

Quanto ao Hamas, Mladenov afirmou que “não deve usar os protestos como um disfarce para tentar colocar bombas na fronteira e criar provocações. ” Os seus operacionais, acrescentou o coordenador, “não devem esconder-se entre os manifestantes e arriscar a vida de civis. ”No início do encontro, os 15 Estados-membros cumpriram um minuto de silêncio em honra das vítimas.

Risco

A Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, também emitiu uma nota sobre estes incidentes. A agência da ONU acredita que este caso “adiciona mais uma camada de trauma a uma situação que já é insustentável.”

Segundo a nota, pelo menos quatro estudantes das escolas da Unrwa foram mortos desde o início das manifestações e 125 foram feridos.

A nota termina com o aviso de que “o risco de que uma violência semelhante ocorra nos próximos dias é alto.”

Secretário-geral

Em nota publicada na terça-feira, o secretário-geral disse que as forças de segurança israelitas devem conter o uso de munição verdadeira e os líderes das manifestações devem prevenir os atos violentos e provocações.

Com mais manifestações esperadas nos próximos dias, António Guterres acredita ser “indispensável que todos mostrem a máxima contenção para evitar mais perdas de vidas. ”

O chefe da ONU destacou ainda a urgência de uma solução política. Segundo ele, “não há alternativa viável à solução de dois Estados, com a Palestina e Israel vivendo lado a lado em paz, cada um com a sua capital em Jerusalém. ”


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