PSDB faz 30 anos: Retrato na parede | Por Tereza Cruvinel

Ex-governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é presidente nacional do PSDB e pré-candidato à presidente da República.
Ex-governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é presidente nacional do PSDB e pré-candidato à presidente da República.
Ex-governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é presidente nacional do PSDB e pré-candidato à presidente da República.
Ex-governador Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é presidente nacional do PSDB e pré-candidato à presidente da República.

Depois de uma reunião da Comissão Executiva, o PSDB fará hoje um ato modesto para celebrar os 30 anos de sua criação.

O partido atual lembra pouco a dissidência de centro-esquerda que se insurgiu contra os métodos fisiológicos do quercismo, então dominante no PMDB, rachando em plena Constituinte para fundar o PSDB.

A fotografia dos fundadores formando um semicírculo no gramado hoje é mesmo apenas um retrato na parede.

Houve o deslocamento para a direita mas isso foi decorrência de acomodações no próprio quadro partidário.

O pecado capital pelo qual pagam os tucanos hoje é o de ter apoiado um impeachment de discutível fundamentação jurídica, em aliança com o mesmo PMDB que enjeitaram em 1988, porém piorado na prática e na ética, para entronizar o governo mais rejeitado de todos os tempos.

As denúncias de corrupção alcançaram também governos e políticos do partido, embora sejam claramente poupados pela Lava Jato.

Mas não deve ser isso que coloca o PSDB entre as siglas com menor índice de confiança dos eleitores: 3%, segundo o Datafolha, contra 19% do PT, que responde por escândalos mais ruidosos e tem tantos dirigentes presos.

A direitização veio com a renovação dos quadros, que elevou o peso de representantes do agronegócio e das oligarquias, reduzindo a expressão urbana e cosmopolita conferida inicialmente por fundadores como FHC, Mário Covas, Franco Montoro, Pimenta da Veiga e José Richa, entre outros.

O antipetismo tucano fez sua parte.

Na medida em que o PT se inclinou ao centro, a partir de 2002, o PSDB decidiu recuar mais para a direita. Mas nada disso teria sido tão adverso sem o apoio ao impeachment e a Temer.

Para o secretário-geral do partido, deputado Marcus Pestana, houve um abalo de todo o sistema, com o desvelamento da corrupção, que atingiu todos os partidos, inclusive o PSDB. Mas isso, diz ele, não suprime o papel histórico e o legado do partido, razão porque não deixarão a data passar em branco.

“O PSDB tem história e tem um legado que não pode ser negado, na construção da democracia, na estabilização da moeda, na derrota da hiperinflação, e também na qualificação do governo nacional. Instrumentos importantes como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a política de genéricos e as bases da rede de proteção social são legados do PSDB. ”

Ele tem razão. O PSDB deu todas estas contribuições, que somadas aos avanços complementares do governo Lula, acenavam para uma sociedade melhor, mais moderna e justa. Por ressentimento com a derrota de 2014, os tucanos apoiaram a estratégia do PMDB, de aproveitar os erros e dificuldades do segundo governo Dilma para derrubá-la, com um impeachment que fez a roda andar para trás.

Insistindo no polo

Na quinta-feira, informa Pestana, haverá em São Paulo nova reunião dos articuladores do manifesto “Por um polo reformista e democrático”, com a participação de FHC. “Vamos reafirmar o chamado à unidade, advertindo inclusive para o risco de ficarmos fora do segundo turno”. Até agora, nenhum candidato do tal centro admitiu renunciar em favor do melhor colocado, o tucano Geraldo Alckmin.

Pestana não tem ilusões quanto a Marina Silva e Álvaro Dias mas acha que, com a proximidade das convenções, em julho, outros candidatos podem se retirar da disputa em favor da unidade.

“E ainda que mantenham suas candidaturas, mais perto do 7 de outubro a convergência pode acontecer, com algumas renúncias”. Isso parece mais provável.

A dívida

Será lançada hoje na sede da CNBB, em Brasília, pela Comissão Especial para o Ano do Laicato, a cartilha “Auditoria da Dívida Pública: vamos fazer?”

A ala progressista da Igreja vê na auditoria uma “forma de libertar o Brasil da escravidão do sistema financeiro”, em que só os bancos ganham com a rolagem da dívida a juros imorais.

*Publicado no Jornal do Brasil (JB), em 26 de junho de 2018.

*Tereza Cruvinel é jornalista.


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