Salvador: Espetáculo ‘A Última Virgem: a divina comédia de Nelson Rodrigues’ é encenado no Teatro Vila Velha

Cena do espetáculo Espetáculo 'A Última Virgem: a divina comédia de Nelson Rodrigues'.
Cena do espetáculo Espetáculo ‘A Última Virgem: a divina comédia de Nelson Rodrigues’.

Em ‘A Última Virgem: a divina comédia de Nelson Rodrigues’, o núcleo familiar é formado por Noronha, baixo funcionário da câmara dos deputados, sua esposa – D. Aracy, chamada de ‘Gorda’ – e suas cinco filhas.

As quatro mais velhas não se casaram e se prostituem para dar à caçula – a última virgem – um casamento de princesa. A mais velha, Aurora, se prostitui nas horas vagas, e mantém um emprego numa repartição pública; Arlete tem nojo de homem e se refugia na homossexualidade como resposta à sua situação de mulher-objeto; Débora vive arranjando mulher pra homens idosos; e a silenciosa Hilda é médium espírita. Todas se concentraram até então no objetivo de dar à Silene um casamento grandioso. No choque desse entrelace familiar polêmico e o mundo lá fora resultam em explosões trágicas e patéticas. Com produção do histórico grupo Teatro dos Novos e encenação do ator e diretor teatral Celso Jr., o elenco é formado por Luiz Pepeu, Fernanda Paquelet, Isabela Silveira, Adriana Leite, Beatriz Almeida, Camila Castro, Igor Nascimento, Thauan Peralva Vivas, Tiago Querino e as participações especiais de Newton Olivieri e Vinícius Bustani.

A opção de utilizar o título “A última virgem: divina comédia de Nelson Rodrigues” para a montagem peça surgiu por se tratar de um título alternativo oferecido pelo próprio Nelson, diante das dificuldades de produção da peça, em São Paulo, no ano de 1969. Quem conta esta história com prazer é Jô Soares, que dirigiu a tal montagem. Como Nelson ainda era pouco conhecido em São Paulo, as pessoas associavam o título “Os Sete Gatinhos” a uma peça infantil. Então, Jô telefonou para Nelson pedindo uma sugestão de outro título menos infanto-juvenil. Segundo o humorista, o dramaturgo disse, após uma breve pausa, com sua profunda voz de barítono: “coloca A última virgem”. O subtítulo vem justamente da descrição que Nelson usou para caracterizar sua peça: Divina comédia.

O crítico Sábato Magaldi, ao prefaciar a edição do Teatro completo, se refere com bastante entusiasmo a “Os Sete Gatinhos” e nos dá uma pista importante a respeito das escolhas estéticas do autor. Para ele, “o gênero “divina comédia sugere a ambiguidade do procedimento habitual do dramaturgo, com integração de elementos trágicos e cômicos…” E também, além disso, traz em sua tessitura, os elementos característicos das obsessões rodrigueanas, tais como os desvios de sexualidade, o desejo abrupto e as pequenas mazelas do dia-a-dia.

O Teatro Vila Velha tem o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.

Agenda

Local: Teatro Vila Velha | Salvador

Datas: 09 a 26 de agosto de 2018

Horário: Quinta a sábado – 20h / Domingo – 19h


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