Eleições 2018: Le Monde explica eleição do Brasil a franceses e diz que “Jair Bolsonaro é pior que Donald Trump”

Candidato à presidência da República de extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL/RJ) é um político identificado por setores da mídia com as ideias do nazismo, fascismo, antissemitismo, misoginia, segregacionismo contra negros e grupos minoritários, que professa discurso do ódio, vinculado a prática da violência física como forma de obter a redução do conflito social.
Candidato à presidência da República de extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL/RJ) é um político identificado por setores da mídia com as ideias do nazismo, fascismo, antissemitismo, misoginia, segregacionismo contra negros e grupos minoritários, que professa discurso do ódio, vinculado a prática da violência física como forma de obter a redução do conflito social.

“O primeiro turno da eleição presidencial no Brasil abalou totalmente as regras do jogo”, diz a chamada do jornal francês Le Monde para um chat online com sua correspondente no Brasil, Claire Gatinois. Ela teve a dura missão de explicar aos franceses, nesta segunda-feira (08/10/2018), a complexidade e os desafios da eleição brasileira, marcada pela presença das redes sociais e de manifestações nem sempre republicanas.

“Misógino, racista e homofóbico, Jair Bolsonaro conseguiu 46% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais, aproveitando a crise moral e política do país”, anuncia Le Monde, antes de dar início ao chat com os leitores franceses. “Bolsonaro se apresenta como o Trump tropical”, diz um dos internautas. “Isso é verdade? Ou é pior?”, pergunta. Claire Gatinois responde que sim, “é efetivamente pior”. “E ele tem um discurso desrespeitoso com as instituições, notável na maneira como questiona pesquisas de opinião e o resultado das urnas”, explica a jornalista.

“Qual a importância das redes sociais [nas eleições brasileiras]?”, quer saber um outro. “Enorme!”, diz Gatinois. “Essa eleição mudou completamente as regras do jogo no Brasil. Até agora tudo era decidido principalmente via televisão. Geraldo Alckmin, que teve o maior tempo, era considerado favorito. Bolsonaro tinha 4,8% dos votos! Muita propaganda foi feita via redes sociais, facebook e principalmente o whatsapp, aplicativo muito utilizado na América Latina”, detalha a jornalista francesa.

Fake News

Gatinois explica ainda que a agressão à faca, sofrida pelo candidato do PSL, que o impediu de participar de debates televisivos, teria acentuado a campanha nas redes sociais e a “corrente de fake news que o TSE foi incapaz de controlar”. Uma internauta francesa, que quer mais informações sobre “a sociologia dos eleitores brasileiros”, pergunta a proporção de mulheres que votaram Bolsonaro e quais seriam “as margens de progressão” de sua candidatura no segundo turno. A correspondente explica que não existem ainda detalhes precisos sobre os eleitores, mas que o Sul e o Sudeste votaram massivamente por Bolsonaro, enquanto o Nordeste votou “à esquerda”. “Jair Bolsonaro seduz os evangélicos mais do que o PT”, explica.

Um dos leitores afirma que, ao ler reportagens sobre o Brasil, tem a impressão de que, para uma boa parte da população brasileira, o período da ditadura foi esquecido. “Como é possível?”, questiona.  “A ditadura é vista por alguns dos brasileiros como um período de prosperidade econômica”, detalha a correspondente. “O regime militar seguiu uma política de grandes obras  – desastrosas, aliás, para o meio ambiente -, acompanhada de um boom econômico. Para aqueles que não estavam na resistência, a ditadura militar também foi idealizada como um tempo onde reinou a ordem”, resume Gatinois. “Existe também essa ideia completamente falsa de que a corrupção não existia durante a ditadura”, lembra a jornalista.

“É certo que Jair Bolsonaro ganhe este eleição?”, quer saber um dos leitores. “Seria necessário um milagre para que Fernando Haddad vire o jogo”, avalia Le Monde. A jornalista francesa lembra que, desde a redemocratização do Brasil em 1989, nunca um candidato que esteve na frente no primeiro turno perdeu a eleição.

“Mas, então, quais são as propostas concretas de Bolsonaro? Ele vai conseguir colocá-las em prática?”, pergunta uma internauta. “É tudo muito vago”, responde Gatinois. “Ele fala sobre restaurar valores de Deus, mas não explica como vai fazer isso. Seu discurso é centrado na segurança. Ele quer anistiar crimes de policiais e pôr fim à revisão de pena de detentos, uma medida polêmica e problemática porque o Brasil sofre com uma superlotação carcerária estimada em 197%”, diz Gatinois.

“Seria correto dizer que Bolsonaro é de extrema direita?”, pergunta um francês. “Sim, ele não é apenas conservador, ele é conhecido por suas alusões racistas, homofóbicas e misóginas. Numa entrevista à TV Globo, ele falou do golpe de Estado de 1964 como uma ‘revolução democrática’“, analisa a jornalista.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da PMSE: Campanha do São João 2026.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading