Feira de Santana registra 50 casos de automutilação de crianças e adolescentes desde o ano passado

Evento discute estratégias para combater a automutilação e o suicídio.
Evento discute estratégias para combater a automutilação e o suicídio.

O Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) registrou 50 casos de automutilação envolvendo crianças e adolescentes, em Feira de Santana, de 2017 até setembro deste ano. O número serviu como sinal de alerta para a Secretaria Municipal de Saúde, através do Grupo de Trabalho de Saúde Mental, sensibilizar nesta quarta-feira (10/10/2018), os profissionais de saúde, assistência social e educação na busca de uma maior atenção a esses casos.

O evento realizado no auditório da Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC) trouxe como abordagem estratégias para unir a sociedade em combate a automutilação e suicídio. “Toda a comunidade deve contribuir nesse processo, não só os profissionais, mas a família também tem que ser um correspondente”, ressalta a assistente social referência de saúde mental da Atenção Básica, Diana Damilles Costa.

Mudanças de comportamento servem como indicador

Algumas mudanças de comportamento podem servir para os pais como indicador que algo não vai bem com a criança ou adolescente. De acordo com a coordenadora da Rede de saúde mental, Robervânia Cunha, é preciso ficar atento a sinais como a utilização frequente de roupa de manga comprida, o ato de cobrir todo o corpo e a exposição durante muito tempo nas redes sociais. “É importante procurar saber o motivo desse isolamento e pedir ajuda num serviço de atendimento especializado”, alerta.

Ainda segundo Robervânia, a pessoa que se automutila tem intenções diferentes de um suicida. “Ele não quer acabar com a vida, mas quer acabar com a dor, e essa dor é emocional. Então essa pessoa machuca o corpo na tentativa de aliviar essas emoções”, ressalta.

Entre as estratégias utilizadas pelo município no atendimento a esse público estão as psicoterapias, as atividades em grupo e a escuta qualificada através de um psiquiatra, serviços esses gratuitos oferecidos através dos CAPS e encaminhados pela Atenção Básica. Além disso, o Grupo de Trabalho de Saúde Mental, que une os CAPS e Atenção Básica em parceria com faculdades do município, foi criado há um mês visando melhor capacitar profissionais no atendimento a esse público.

Atenção Básica é a porta de entrada desse serviço

“Nós temos hoje em Feira de Santana 115 Equipes de Saúde da Família e a gente sabe que a Atenção Básica é a porta de entrada desse serviço. A criança que está passando por automutilação, e o pai e a mãe conseguem observar essa questão, pode procurar a Unidade de Saúde do território e conversar com o médico, enfermeiro ou assistente social. Chamamos atenção também para os profissionais de educação que podem estar notificando esses casos, pois se preciso será feito o encaminhamento para o serviço especializado que é o CAPS Infantil”, informa Diana Damilles.


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