SSP de Goiás diz que não há prazo para João de Deus ser considerado foragido

O médium João Teixeira de Faria (João de Deus) chega à Casa Dom Inácio Loyola, em Abadiânia.
O médium João Teixeira de Faria (João de Deus) tem prisão decretada pela Justiça.

A Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de Goiás, continua buscando o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, não há prazo para que o médium seja considerado foragido. João de Deus já foi alvo de mais de 300 denúncias de abuso sexual. Sua prisão foi decretada ontem (14/12/2018) pela Justiça de Goiás.

O Ministério Público de Goiás está apurando denúncias contra o médium em outros seis países. A força-tarefa criada pelo órgão foi procurada por possíveis vítimas da Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça.

A localização do médium ainda é desconhecida. Sua defesa afirmou que entrará com pedido de habeas corpus contra a decisão, que considerou “ilegal e injusta”. O advogado Alberto Toron disse ainda que “a impetração do habeas corpus não exclui a apresentação do senhor João de Deus”. Ele, no entanto, não informou se há planos para que o médium se apresente à polícia.

As denúncias contra João de Deus começaram a vir a público na última sexta-feira (7) quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgou as primeiras denúncias de abuso sexual. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium começaram a procurar as autoridades e a imprensa. As denúncias já chegam a mais de 300.

Força-tarefa apura denúncias contra João de Deus em seis países

A força-tarefa criada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) apurou denúncias de abuso sexual contra o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, em seis países. Possíveis vítimas procuraram o grupo para denunciar casos de abuso sexual, mesmo vivendo na Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, nos Estados Unidos e na Suíça.

Desde o dia 10, quando foi criado o e-mail para receber denúncias de vítimas, 335 mensagens e contatos por telefone foram atendidos. O e-mail específico para essa finalidade é o denuncias@mpgo.mp.br.

De acordo com o Ministério Público, as denúncias se referem a possíveis vítimas que estão em Goiás, no Distrito Federal, em Minas Gerais e São Paulo, no Paraná e Rio de Janeiro, em Pernambuco, no Espírito Santo e Rio Grande do Sul, em Mato Grosso do Sul, no Pará, em Santa Catarina, no Piauí e Maranhão.

Também já houve levantamento do número de depoimentos coletados em outros estados. Ao todo, foram 30 colhidos pelos MPs de São Paulo, Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Espírito Santo.

Reunião

No esforço de ampliar a integração da atuação do MP e da Polícia Civil no caso, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, esteve com o delegado-geral da Polícia Civil, André Fernandes. Mais dois nomes serão incorporados à força-tarefa.

Um deles é o de uma promotora de Abadiânia, cidade goiana onde o médium presta atendimento espiritual, e outro é de uma delegada na força-tarefa criada pelo MP. O grupo era, até então, formado por cinco promotores e duas psicólogas da equipe do MP.

O procurador-geral de Justiça também encaminhou um ofício-circular aos procuradores-gerais de Justiça dos MPs estaduais e do Distrito Federal solicitando a designação de unidades de atendimento para coleta de depoimentos de possíveis vítimas do médium.

*Com informações da Agência Brasil.


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