Torços e turbantes da exposição ‘Coroa de Ouro’ marcam presença na Casa do Benin, em Salvador

Com demonstração ao vivo de amarração de turbantes, a quarta edição da exposição ‘Coroa de Ouro’, integrante do Festival da Cidade na Casa do Benin.
A estilista Negra Jhô demonstra a arte da amarração de turbantes durante a abertura da exposição "Coroa de Ouro" na Casa do Benin, Pelourinho.

Com uma demonstração ao vivo de amarração de turbantes, a quarta edição da exposição “Coroa de Ouro” será inaugurada nesta quinta-feira (28/03/2019), na Casa do Benin, situada à Rua Padre Agostinho Gomes, 17, no Pelourinho, a partir das 19h. A exposição faz parte da programação do Festival da Cidade, que celebra os 470 anos de Salvador, e ficará aberta ao público até o dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, com entrada gratuita.

Idealizada pela hair designer afro e estilista Negra Jhô, a exposição apresenta 21 obras que exploram o universo dos torços e turbantes, peças de forte representação cultural afro-brasileira. Durante a abertura, Negra Jhô estará presente para compartilhar suas experiências e demonstrar a técnica da amarração, oferecendo ao público um vislumbre da ancestralidade e identidade transmitidas por esses adornos.

Negra Jhô, figura influente no movimento de valorização da estética negra, destaca a importância da exposição em sua vida e trajetória profissional. “Esse trabalho representa a minha vida. Todos os turbantes têm um pouco de mim. Através deles serão contadas histórias da nossa realidade. É a representação da autoestima e uma homenagem à nossa cultura, nossa arte, às mulheres e a toda nossa memória. É uma valorização da nossa ancestralidade”, afirma. A estilista ainda expressa o desejo de que a exposição alcance reconhecimento internacional, de modo que mais pessoas possam conhecer a história afro-brasileira.

Chicco Assis, gerente de espaços culturais da Fundação Gregório de Matos (FGM), salienta o significado da exposição para a cidade de Salvador, reforçando a conexão entre a capital baiana e a África. “Os torços e turbantes remetem à forte ligação de Salvador com a África. Essa exposição é muito pertinente, pois, além de celebrar os 470 anos da cidade, ressalta os aspectos da afrodescendência, tão presente, importante e transformadora para os baianos”, afirma Assis.

Além da “Coroa de Ouro”, os visitantes da Casa do Benin poderão acessar a mostra permanente, que inclui um valioso acervo fotográfico capturado por Pierre Verger durante suas expedições ao continente africano, oferecendo um panorama visual das conexões culturais entre Salvador e a África.

Perfil de Negra Jhô

Valdemira Telma de Jesus Sacramento, conhecida como Negra Jhô, nasceu no quilombo da Muribeca, no distrito de São Francisco do Conde. Desde jovem, desenvolveu a habilidade na arte de trançar cabelos e na criação de torços e turbantes. É filha de Ogum com Iansã e tem uma trajetória marcada pelo ativismo em prol da valorização da estética afro-brasileira. Negra Jhô chegou ao Pelourinho no final dos anos 1970, onde iniciou uma revolução cultural, tornando-se uma das precursoras do movimento de empoderamento do cabelo natural e da identidade negra. Atualmente, realiza seu trabalho no salão Negra Jhô Penteados Afro, localizado na Ladeira de São Miguel, 4, no Pelourinho.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Os comentários estão fechados.

Discover more from rnal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.