57% da população reprova comemoração do Golpe Civil-Militar de 1964, aponta pesquisa DataFolha; Inciativa de ato criminoso contra a democracia foi do presidente Jair Bolsonaro

Ao contrário do que pensa o presidente Jair Bolsonaro, a comemoração da data que marcou o início da ditadura militar no Brasil não tem o apoio da maioria da população. Pesquisa DataFolha, divulgada neste sábado (06/04/2019) pelo jornal “Folha de S.Paulo”, mostra que a comemoração do golpe de 1964, lembrada inclusive por vídeo no atual governo, é reprovada por 57% dos entrevistados.

O DataFolha entrevistou 2.086 pessoas em 130 municípios entre terça e quarta-feira dessa semana. Desses entrevistados, 36% disseram que a data merece comemoração e outros 7% não souberam responder ou não quiseram opinar sobre o tema. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

De acordo com a pesquisa, os jovens mais escolarizados e mais ricos da população são os que mais reprovam menções ao golpe. Entre as pessoas de 16 a 24 anos, 64% são contrários à comemoração da data. O índice chega a 67% entre quem tem ensino superior e a 72% entre aqueles de renda familiar mensal superior a dez salários-mínimos.

Entre as pessoas que se dizem favoráveis à celebração do golpe, 42% têm mais de 60 anos, 43% têm ensino fundamental completo e 39% têm renda mensal familiar de até dois salários-mínimos.

A polêmica em torno do tema começou no último dia 25 de março, quando o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro havia determinado ao Ministério da Defesa “comemorações devidas” e alusivas ao dia 31 de março de 1964 em quartéis de todo o país. Após a repercussão negativa, o presidente tentou se justificar ao dizer que a ideia era “rememorar, e não comemorar o golpe de 1964”.

Após as declarações de membros do governo federal, a Defensoria Pública da União foi à Justiça para barrar as comemorações, assim como familiares de vítimas da ditadura. A Justiça Federal chegou a proibir eventos que fizessem referência à data, mas a liminar acabou cassada.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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