Sem verbas e bolsas, pesquisas e atendimentos especializados correm risco de parar; Governo Bolsonaro promove grave retrocesso nas ciências do Brasil

O bloqueio de 40% da verba de custeio básico da UFBA e o corte de 82 bolsas de pós-graduação pela CAPES podem inviabilizar atividades do ensino e pesquisa da pós-graduação e os serviços de atendimentos especializados resultantes delas.
O bloqueio de 40% da verba de custeio básico da UFBA e o corte de 82 bolsas de pós-graduação pela CAPES podem inviabilizar atividades do ensino e pesquisa da pós-graduação e os serviços de atendimentos especializados resultantes delas.
O bloqueio de 40% da verba de custeio básico da UFBA e o corte de 82 bolsas de pós-graduação pela CAPES podem inviabilizar atividades do ensino e pesquisa da pós-graduação e os serviços de atendimentos especializados resultantes delas.
O bloqueio de 40% da verba de custeio básico da UFBA e o corte de 82 bolsas de pós-graduação pela CAPES podem inviabilizar atividades do ensino e pesquisa da pós-graduação e os serviços de atendimentos especializados resultantes delas.

O bloqueio de 40% da verba de custeio básico da  Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o corte de 82 bolsas de pós-graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) poderão inviabilizar atividades do ensino e pesquisa da pós-graduação e os serviços de atendimentos especializados resultantes delas. “A suspensão dos recursos impacta toda a vida dentro da universidade”, afirma o pró-reitor de Pesquisa, Criação e Inovação e de Ensino de Pós-graduação da UFBA, Olival Freire Jr.

Se não forem revertidos os bloqueios à verba de destinada a custear a manutenção predial, os contratos de limpeza, segurança e portaria e o pagamento de contas de água e energia, “as salas de aula terão o funcionamento comprometido, já que a descontinuidade dos serviços básicos de um prédio o deixam vulnerável”, diz o pró-reitor. Além disso, “os laboratórios de pesquisas dotados de vários equipamentos que precisam de energia e, principalmente, ar condicionado, para dar andamento aos experimentos e manter o armazenamento dos materiais coletados, terão o funcionamento paralisado”, acrescenta.

Somando-se a isso, a notificação da Capes, no dia 08 de maio, por meio do Ofício Circular nº 1/2019-GAB/PR/CAPES, recolhendo as bolsas e taxas escolares não utilizadas em vários programas de pós-graduação resultou na suspensão de 72 novas bolsas, que seriam destinadas de estudantes de mestrado e doutorado, e 10 de pós-doutorado, informou o pró-reitor. A supressão desse percentual de 5% do total de 1.570 bolsas da pós-graduação da UFBA, “não é desprezível, pois esses estudantes são fundamentais para o andamento de vários projetos de pesquisas”.

Entretanto, o mais grave, segundo ele, “é que, neste momento do corte das bolsas, muitos programas de pós-graduação, estão fazendo ou tinham acabado de fazer as seleções dos candidatos, e muitos dos estudantes já estavam com os nomes registrados em atas, esperando para o benefício ser implementado”. Para ilustrar a situação de insegurança, o pró-reitor citou o caso de um estudante de doutorado da UFBA que saiu do estado de São Paulo, planejando viver em Salvador com a bolsa da Capes, que agora teme ter que voltar para seu estado de origem e deixar os estudos na universidade baiana, pois não terá como sobreviver.

Os reflexos de tais interrupções também se estenderão para a sociedade, onde há pessoas que são diretamente beneficiadas pelas pesquisas, como resultados dos anos de investimento e investigação de estudantes e professores, nos diversos projetos atendimento que estão fortemente ameaçados de extinção. Veja alguns exemplos:

Projeto pioneiro de reconstrução, reparação e regeneração do tecido ósseo pós-trauma

Utilizando modelagem 3D e células-tronco, é desenvolvido pela equipe de Ortopedia e Traumatologia do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia, sob a coordenação do professor Gildásio Daltro, em cooperação técnica com o Polo de Inovação Salvador do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA). Atende às vítimas de acidentes de trânsito, principalmente motocicletas, que resultam em traumas de alta energia e lesão grave de ossos e músculos com dores lancinantes, gastos elevados e sequelas funcionais. Segundo Daltro, “a pesquisa com célula-tronco tem fontes de financiamento provenientes, principalmente, de emendas parlamentares, mas os cortes de verbas podem tornar a universidade inadimplente e com dificuldade de manter sua infraestrutura, o que logo implicará no atendimento e funcionamento de quaisquer pesquisas”.

Atendimento em Odontologia

Para complementar as aulas teóricas, a Faculdade de Odontologia realiza aulas práticas, ofertando serviços odontológicos gratuitos à população menos favorecida de Salvador, atendendo cerca de 600 pacientes por dia. Além disso, fornece serviços exclusivos, análise patológica, diagnóstico de câncer bucal e radiologia para outros órgãos de saúde, como a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador. De acordo com o diretor da unidade, Marcel Arriaga, a Faculdade possui 143 equipamentos em funcionamento, destinados ao atendimento das pessoas e o porte total da aparelhagem ultrapassa a de cidades da região metropolitana e é a única unidade da rede pública que trabalha com próteses de olho, nariz e orelhas.

Diante disso, Arriaga prevê que “as atividades serão fortemente impactadas com o corte das verbas de manutenção, pois não haverá como adquirir materiais de consumo para a realização de procedimentos como cirurgia, raio X e etc. Atrapalhará completamente a oferta de serviços, principalmente, com a redução de servidores terceirizados que cuidam de ações básicas e essenciais”.

Pesquisa sobre arboviroses, zika, dengue e chikungunya

São desenvolvidas no laboratório de virologia do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) e, de acordo com a professora Sílvia Sardi, “uma possível baixa no fornecimento de energia inviabilizaria o funcionamento do laboratório, que possui geladeiras e freezer de altas cargas, além de estudas e fluxos de lâminas, o que acarretaria na perda e material biológico de anos de pesquisa”.  Sardi, que trabalha ao lado do pesquisador Gúbio Soares, lembrou que “se houver uma suspensão no abastecimento de água, também causará a perda de reagentes, que são comprados com recursos públicos e isso seria mais um prejuízo irreparável, pois o dinheiro destinado à aquisição deste insumo, não será reposto”.

Outro aspecto afetado seria a esterilização de materiais, “inviabilizando totalmente as pesquisas que interessam a toda a sociedade, pois tem surgido novas endemias que precisam ser conhecidas”, explica a pesquisadora. Além disso, ela enfatizou que a diminuição paulatina de recursos para manutenção de estudantes bolsistas dificulta o avanço das pesquisas nesse laboratório. “Não temos como contratar mão de obra específica, por isso, são os estudantes que realizam os trabalhos necessários para o andamento da pesquisa. Sem os bolsistas, fica difícil”, disse.

Projeto Caminhos do Trabalho

Atende trabalhadores adoecidos do setor de call centers na região da Grande Salvador, com o objetivo de mapear a subnotificação das doenças ocupacionais e acidentes de trabalho na área. O serviço, que funciona no ambulatório Professor Magalhães Neto, entrevista trabalhadores de call centers para identificar os males que causaram o afastamento laboral e analisar cada caso. A partir de orientação jurídica e do exame clínico, prepara-se um dossiê (relatórios médicos e de outras instituições) com o objetivo de solicitar ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) a transformação do benefício B31 em B91, que garante a permanência no emprego e recolhimento para a previdência. De acordo com o coordenador do projeto e professor da Faculdade de Economia da UFBA, Vítor Filgueiras, “uma possível suspensão de energia, tornaria a atividade inviável, pois não há possibilidade de atendimento aos trabalhadores”.


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